quinta-feira, 9 de julho de 2009

Férias?

Meu filho caçula está de férias, e eu também estou. Pelo menos em parte, porque continuo trabalhando, mas as aulas da faculdade só recomeçam em agosto.

O mais velho há muito tempo mora com os avós paternos, e vem me visitar nos fins-de-semana. É uma longa história, de um tempo em que outras pessoas podiam decidir o que era melhor para minha vida, e não vale a pena contar. Enfim, apesar de amar os dois profundamente, foi o menor que se apegou mais a mim, porque estamos o tempo todo juntos.

No sábado passado ele viajou sozinho pela primeira vez. Foi visitar minha irmã no Paraná.
Com receio de deixá-lo pegar dois ônibus, fui com ele até a rodoviária de Campinas para me despedir. Pensei que ele fosse chorar, mas isso não aconteceu. Ele me abraçou com toda a força de um metro e oitenta de altura e desceu a escada rolante até a plataforma acenando para mim, todo feliz com sua jaqueta militar e a mochila de escoteiro nas costas. Fiquei pensando no quanto ele já está homem, apesar da covinha no rosto quando sorri e do brilho de curiosidade nos olhos castanhos-esverdeados. Já está homem, e bonito, na minha opinião materna... Fiquei observando lá de cima enquanto ele dirigiu-se à plataforma correta, entregou a bagagem ao motorista e entrou no ônibus de cabeça erguida. Caramba, ele não precisa mais de mim para quase nada...

Ser mãe é algo muito contraditório. Várias vezes sonhei com algumas tardes de silêncio, a casa em ordem, só eu e a tela do computador em branco, e minhas idéias transformando-se em palavras. Agora eu as tenho, mas parecem intermináveis. Ontem recebi uma mensagem no celular: Mãe, estou com saudade... E uma coisa simples assim me emocionou. Telefono e ele me parece feliz, me conta dos passeios com a tia que não via desde o Natal. Antes assim.
Tenho que me preparar. O tempo passa depressa; mais alguns anos e terei apenas as tardes silenciosas. Ainda bem que meu trabalho exige bastante de mim. Vou ter que me dedicar a algum hobby novo para preencher meu tempo. Lembro-me de uma amiga que teve depressão quando a filha se casou e saiu de casa. Mas a vida é cheia de mudanças; temos que aprender a fluir com ela. Um dia ele irá embora, e espero que seja feliz. Quando ele buscar seu próprio caminho, saberei que isso significa que cumpri bem a minha tarefa.

12 comentários:

Suzana Meirelles disse...

Vou passar por esta experiência pela primeira vez
neste domingo.Primeiro acampamento,13 anos!Penso como você,e embora esteja dividida entre vai logo porque você está muito chato só me criticando e eu idem e a necessidade de deixá-lo se equipar para a vida,já estou com saudades.Pois até hoje com pequenas viagens de dois dias meus dias já ficam loooonnngos,imagina uma semana!!!!
Podemos trocar nossas saudades? rsss
Boa sorte querida,é,ele crescem.....

Viviane Righi disse...

O tempo passa mesmo muito depressa, Jenny...
No nosso dia a dia, são tantos os compromissos e tarefas inadiáveis que nem nos damos conta de que nossos filhos estão crescendo, mesmo cuidando deles com todo nosso carinho e atenção. Só percebemos isso em ocasiões assim, como a que você descreveu tão bem.

E dependendo da criação que damos a eles, essa "lacuna vazia" que certamente acontecerá em nossa vida, mais cedo ou mais tarde, jamais será um vazio verdadeiro. Pois o que fica para eles e para nós são os laços de amor, afeto, responsabilidade e educação, que por si só não permitem que fiquem longe de nós por muito tempo. A distância até poderá ser física, mas os corações estarão sempre interligados.

E que continuemos nossa missão...

Marcus Alencar disse...

Os laços de amor e carinho que se formam entre uma mãe e seus filhos são sempre indescritivelmente fortes e eternos, não se rompem até mesmo quando estes criam asas e voam por conta própria pelo mundo afora. O que fica é tudo menos um vazio e sim um espaço todo preenchido de lembranças felizes do crescimento de um ser humano.
Muito bonito o seu texto, não podia ter começado melhor.

beijosss

Antonoly disse...

Por isso a importância de ter outros objetivos na vida além dos filhos, pois um dia eles crescem e vão embora.

Taynara disse...

Síndrome do ninho vazio é o nome "científico" dessa depressão das mães quando os filhos se vão. Deve ser uma época mto conflituosa, pois tantos são os anos qse todos dedicados a criar os filhos, educar, cuidar, fazer as vontades... hahahahhhaha E aí eles crescem e se vão!
Faz parte da vida, é natural; mas não deixa de ser complexo. A solução realmente é descobrir novas coisas para se fazer...

Até para ter o que contar quando estiver com os filhos!

Bjs,

Euzer Lopes disse...

É, dona mamãe...
Daqui a pouco seu bebê de um metro e oitenta (só mãe pra escrever estas coisas) vai aparecer em casa com uma sujeitinha de um metro e cinquenta e três dizendo que está apaixonado, que quer casar, e você vai ter de organizar tudo.
Melhor vai ser quando seu bebê de um metro e oitenta falar que a sujeitinha de um metro e cinquenta e três está grávida do primeiro bebê.
Ou você não passou por isso quando seu marido foi apresentar você para sua sogra?

Rogerio disse...

os filho podem seguir teu rumo...mas sempre terão um abrigo que e sua mae..alguem que sempre poderaão contar...pra tudo...

Giuliano Marley disse...

Agora você me fez morder a ponta do próprio polegar…


Não vejo a hora de sair da casa que moro, ir morar no Paraná, longe de todos, inclusive de minha mãe.

Não acredito que ela sentirá minha falta, já que não mostra sentimentos da qual me conforta… Mas será que sentirá minha vazia presença?

Não há nada que eu possa fazer…

***

Belas letras!
_____
http://atestadopedante.blogspot.com/

Tchezar disse...

verdade... o tempo realmente passa muito depressa! quando menos percebemos, já se foram 20 anos...
eu não sei qual a sensação de ser pai (ou mãe no seu caso), mas tenho uma noção do que é... de como é duro lutar para que seu filho cresça e se torne independente e depois a dor de vê-lo partir para trilhar seu próprio caminho...

muito bom o texto!!

Thaissa disse...

Eu ainda não sou mãe...mas entendo isso como uma coisa muito boa!
E sobre o último parágrafo...é sim, o tempo passa rápido demais! Os filhos crescem e querem buscar seu próprio caminho...assim como você também fez com a sua mãe! E, por mais que você diga *tenho que me preparar*, no fundo, as mães NUNCA conseguem fazer isso!
Ainda estou na condição de filha...já tow querendo abrir as minhas asinhas e voar...e sempre é a mesma reclamação: A minha mãe sempre diz queeu deixo ela sozinha, que eu vou embora daqui alguns dias e ela vai se enfiar na solidão... =/ mas é a vida né? A gente tem que seguir nosso caminho!

adorei o blog

beijinhos querida :*

Elisama disse...

Que lindo!

Jenny Rugeroni disse...

Nossa! estou voltando agora e já tem todos esses comentários! Valeu gente, e fico feliz que vcs tenham se identificado... É, Suzana, nós mães somos todas iguais, nossos sentimentos são muito parecidos! Euzer, pelo que já passei, acho que serei uma sogra legal rs... Giuliano, também já passei por essa fase que vc está passando e não foi fácil! mas é a evolução natural de uma pessoa saudável, e nós mães temos que nos adaptar... Enfim, meu filho volta para casa amanhã, e não vejo a hora!!!!

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