quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Missão de escritor




Escrever é um ato solitário. E não importa o caminho percorrido até chegar ao ponto final, o escritor sempre terá que lidar com esse momento de colocar em prática suas idéias, sonhos e desejos no papel. Cada parágrafo é um desafio a ser superado. Na verdade, ouso dizer que todo escritor é no fundo de sua alma um sonhador, alguém que almeja de forma até heróica tocar mentes e corações.

É claro que tudo depende da qualidade da escrita e, portanto, na capacidade do autor dela de envolver o seu leitor. Isso ocorre porque esta comunicação se dá de uma forma mais intima justamente por causa da sua natureza silenciosa. Quando o leitor se propõe a encarar um texto com seriedade, a sua concentração se prepara para realizar a conexão com as palavras que estão sendo recebidas pelos olhos e assim processadas em sua mente. Sendo assim, se o escritor usar as palavras certas é bem provável que sua mensagem chegue com sucesso. Nesse sentido, vale dizer que se estamos falando de probabilidades é porque existe algo chamado interpretação.

Graças à capacidade de cada pessoa de interpretar uma mesma mensagem de formas diferentes, o texto ganha a capacidade de crescer e de ser responsável por muitas reflexões e discussões acerca delas. Ao meu ver, isso é maravilhoso. Claro que não precisa chegar a tanto, mas tal feito é gratificante só pelo fato dessas palavras serem responsáveis por plantar uma semente na vida de alguém.

Apesar de tudo, não podemos esquecer que grande parte da responsabilidade desse processo dar certo é do leitor. Seu esforço e interesse para absorver as palavras tem que ser real para que a ``magia`` aconteça pois, do contrário, tudo que aconteceu antes terá sido em vão. Claro que muitas das coisas que foram ditas até agora são relativas até porque este texto é de natureza parcial e portanto opinativa. Existem muitas possibilidades envolvidas, mas isso não apaga o fato de que é tentador a possibilidade de fazer algo significativo com as palavras. Enfim, podem dizer que sou um sonhador, mas não sou o único.

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domingo, 16 de dezembro de 2012

As mentiras que a gente conta

Quem negar que às vezes conta uma mentira, já começa a mentir por aí... porque todos nós fazemos isso, mesmo que sejam mentiras inocentes em nome da boa convivência. Começamos na infância, para tentar escapar de um castigo ou justificar aquilo que já sabemos que não tem desculpa. "Ah, foi o gato que derrubou o copo, não fui eu não..." Ou então: "Ele me bateu primeiro. Eu só me defendi!" Claro que naquele tempo a gente achava que era mais esperta do que todo o mundo, mas os pais e professores enxergavam através de nossas mentiras com uma facilidade que nos fazia imaginar se eles teriam algum poder mágico. Mas, com a prática, fomos ficando melhores.
Quem disse que nossos pais também não mentiam? E a história da cegonha? E as incontáveis vezes em que pedíamos alguma coisa e eles respondiam que não tinham dinheiro... quando o verdadeiro motivo era que eles não queriam que a gente ficasse se entupindo de sorvete! Depois que a gente amadurece, consegue entendê-los. Principalmente quando nos encontramos numa situação difícil.
O que fazer quando aquela amiga aparece com uma roupa que a deixa parecida com um colchão amarrado no meio e pergunta se está bonita? Eu não tenho coragem de dizer que está, mas também não tenho cara-de-pau suficiente para dizer toda a verdade. Então fico no meio-termo... "Gosto mais daquele vestido que você estava usando na semana passada..." Para bom entendedor...
Imaginem como seria o relacionamento de um casal sem as mentirinhas bobas do dia-a-dia. "Todos os meus colegas de trabalho são feios"... Vai fazer um homem entender que o bonitão da mesa ao lado não representa nenhuma ameaça, e que apreciar a paisagem não tira pedaço! E nós, mulheres, quando perguntamos: "Amor, cê acha que eu tô gorda?" já sabemos de antemão exatamente o que iremos ouvir. Vai fazer uma mulher entender que o fato de estar gorda não significa que ele não te ache atraente...
Não tenho dúvidas: todos nós mentimos ou omitimos fatos. E se isso é ou não um problema, depende de nossas intenções. Pode ser que estejamos apenas evitando uma discussão (por que contar ao namorado que encontramos o ex no ponto de ônibus e tivemos uma conversa bem divertida? isso não quer dizer que ainda sentimos alguma coisa pelo ex...), defendendo alguém que amamos (que mãe nunca omitiu do marido certas coisas que a professora disse sobre o filho na reunião da escola?) ou preservando a auto-estima de alguém (como no caso da amiga com o vestido colchão-amarrado). Será que nesse caso os fins justificam os meios? Isso é algo que só a nossa consciência poderá dizer...

(na foto, Fábio e Samantha dando um tempo antes de começar outro round de luta livre...)

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domingo, 9 de dezembro de 2012

Nos olhos de quem vê...

As paisagens da Serra da Paulista são incríveis! De lá podemos ver várias cidades da região, e o horizonte parece se misturar com o céu. Meu namorado jura que se um dia ganhar na Mega Sena, irá comprar uma propriedade lá em cima - já pensou tomar o café da manhã na piscina com essa vista? Para mim não é preciso tanto. Basta saber que ela existe, e poder vê-la.
No meu dia-a-dia, tenho contato com pessoas de todas as classes sociais e percebo que a felicidade não é proporcional ao dinheiro que se tem. Conheço pessoas que já viajaram o mundo todo e que são infelizes, incapazes de apreciar a beleza ao seu redor. E conheço pessoas que não têm dinheiro, mas viajam na imaginação ao ler um livro ou olhar para uma fotografia de um país distante.
Quando eu era criança, a gente mal tinha o que comer. Tomar um simples sorvete era um acontecimento importante, que nos enchia de alegria. Depois de todos eses anos, nunca vi nada mais gostoso do que o pão caseiro que minha mãe fazia, e que era comido antes de ir para a escola com uma lasca de queijo caseiro que meu pai fazia. A caminhada do sítio até a cidade era longa, mas não sentíamos fome.
Hoje a situação financeira não chega a ser tranquila, mas permite uma extravagância de vez em quando. Como quando meu filho passou no vestibular da faculdade federal, e fomos comemorar em uma pizzaria de renome na região. Lá tudo custa o dobro do preço, e embora a qualidade seja boa, não é muito diferente das pizzas comuns. Mas a experiência de estar naquele ambiente, de sentar-se ao lado da janela e apreciar o jardim todo iluminado, é algo mágico... para nós que não fazemos isso todo fim de semana. O perigo é quando tudo se torna corriqueiro. Aí o mundo perde a graça, mesmo!
Das coisas de minha infância, ainda preservo a curiosidade de ver novas paisagens e provar sabores diferentes. E a capacidade de me maravilhar com pequenas coisas, nem sempre tão visíveis para a maioria. A felicidade não é mesmo proporcional ao dinheiro que se tem... e sim à gratidão que sentimos pelo dom maravilhoso de viver.





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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Origens

Agora, quase um mês depois, finalmente consigo falar no assunto. Minha avó da Noruega faleceu. Era mãe de minha mãe. E a dor que senti foi estranha, uma dor sem palavras, silenciosa. Ela vivia tão longe de nós, e ao mesmo tempo era parte de mim.
A última vez que a vi foi em 2004, quando ela veio para o Brasil por ocasião da formatura de minha irmã. Lembro-me de que ela e meu avô ficaram encantados com a variedade de frutas que existe no Brasil. Fui à feira e comprei um pouco de cada fruta que encontrei, desde bananas e mamões até figos e carambolas. E fizemos uma enorme salada de frutas com sorvete de creme, porque eles estavam sofrendo com o calor daqui.
Desde então, tenho planejado uma viagem para a Noruega que não chegou a acontecer. Minhas irmãs, solteiras e sem filhos, foram para lá no ano passado. Comigo as dificuldades financeiras nunca terminam: é a casa, os estudos dos filhos, o carro que quebrou. E agora não vou mais vê-la, não terei mais seu olhar amoroso e sua alegria. A rotina de minha vida não mudou: minha avó continua como aquela presença invisível, mas sempre junto de nós. Antes eu lhe mandava fotos de meus filhos e de meu jardim. Agora - apesar de todos os meus questionamentos e de todas as teorias sobre o que acontece após a morte - acredito que ela possa vê-los. E acredito também que ela reencontrou minha mãe, a filha única pela qual ela chorou todos esses anos. Mas penso em meu avô sozinho, no amor que os uniu, e a dor se torna mais intensa.
Na semana passada fui a uma apresentação de tango e me emocionei pensando no lado latino de nossa família. Meu pai, nascido em Buenos Aires, cantando aquelas músicas de manhã enquanto fazia a barba. Ele também não está mais aqui, mas é outro tipo de dor. O homem forte e arrogante que mandava em todo o mundo foi se transformando num velhinho de olhos azuis que adorava meus filhos, e é esta a recordação que tenho dele hoje. Espero que minha avó o perdoe por ter levado minha mãe para tão longe, e por tantas outras coisas que magoaram no passado, mas que hoje não têm importância.
São tantas coisas que fazem de nós o que somos. Fragmentos que vão compondo as nossas lembranças, e que se juntam para formar nossas vidas. As velas de Natal espalhadas pela casa, uma tradição que torna mais alegres as longas noites do inverno norueguês. E as músicas country do americano Jim Reeves, que meus pais adoravam e que hoje quase ninguém conhece - só muito recentemente descobri que ele morreu em 1964 num desastre aéreo. A paixão de minha mãe pelos livros. As crônicas de Nárnia, que eu li muito antes de chegarem ao Brasil, e muitos outros livros não traduzidos para o português. Até mesmo a minha dificuldade para comprar roupas, porque nada parece adequado ao meu tipo de corpo. Meus complexos na adolescência, quando me sentia muito alta e desgraciosa, com mãos e pés grandes demais e também o nariz, as orelhas e a boca. Acima de tudo, os valores ensinados por meus pais e meus avós. Faça aos outros como gostaria que fizessem a você. O bem ou o mal que semeamos sempre retorna a nós.

(Para quem ainda não leu, o conto "Identidade" publicado neste blog, fala de minha viagem à Noruega em 2001).

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Flores para Vitória

Faz um ano que ela apareceu, ou foi abandonada, aqui em casa. Devia ter duas semanas de vida, os olhinhos nem se abriam direito ainda. A gatinha de três cores cabia na palma de minha mão, e foi assim que eu a levei para a veterinária. As chances de sobrevivência eram pequenas, porque seu corpinho minúsculo não conseguia reter calor. Mas ela foi adotada por outra gata aqui de casa, a Bianca, que cuidou dela e a manteve aquecida. Bianca é castrada e não tinha leite, então a pequenina se alimentava com uma espécie de sopinha de ração para filhotes que fazíamos. Demos-lhe o nome de Vitória. Nossa pequena foi crescendo e ficando arteira. Em pouco tempo descobrimos que ela era muda, ou seja, quando abria a boca para miar a voz não saía. Vitória aprendeu a subir no telhado da garagem, agarrando-se ao tronco da árvore na calçada, mas não conseguia descer e ficava miando sem voz, até alguém perceber e tirá-la de lá. Uns seis meses depois, apareceu a Samantha, uma bolinha de pêlo preta e branca aterrorizada. Vitória teve uma crise de ciúmes, porque até então tinha sido o bebê da casa. Começou a dormir na caixa de sapatos que preparamos para a pequena recém-chegada, na qual ela nem cabia mais. Porém logo se acostumou, e desta vez foi ela quem adotou a Samantha. Era engraçado ver uma gatinha "mamando" em outra quase do mesmo tamanho. Vitória também enterrava o cocô da Samantha no quintal, dava-lhe banhos, dormia protegendo a filha adotiva com as patas. O mais engraçado era o amor que Vitória tinha por mim. Se estivesse no colo de outra pessoa, ficava me procurando com os olhos. Estava sempre por perto, querendo carinho. Ela pensa que você é mãe dela, diziam as pessoas. E a gatinha me olhava com aqueles olhos verdes claros, sem nunca se desviar. Quando ela desapareceu, fiquei esperando que voltasse. Perguntei aos vizinhos, aos conhecidos, mas ninguém tinha visto. Fui encontrar seu corpinho dias depois, próximo ao muro do meu quintal. Pode ter sido veneno, e talvez tenha sido acidental, talvez o veneno para ratos que o vizinho joga no barracão onde guarda as tralhas. Não dá para saber. Com raiva e tristeza, enterrei Vitória no quintal. Ela mal teve tempo de crescer, não chegou a completar um ano. Para o verão, tudo indica que teremos muitas frutas. A parreira está cheia de uvas minúsculas, o pé de acerola e as goiabeiras se encheram de flores, os galhos da mangueira estão pesados com tantas mangas. Os canteiros exalam perfumes diversos, passear pelo quintal é uma experiência sensorial relaxante. Hoje plantei flores no local onde Vitória está enterrada. Os olhinhos verdes que se voltavam sempre para mim, agora são parte da natureza: retornaram à terra. Mas acredito que os animais são imortais como nós, e onde ela estiver, que meu carinho chegue até ela. Te amo, Vitória!

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sábado, 29 de setembro de 2012

Das coisas que eu gosto


Somos seres complexos, mas isso não quer dizer que não podemos ser capazes de nos apegar a coisas simples, porém não menos importantes em nossas vidas.

Eu, por exemplo, gosto de ficar sozinha, de viver o meu próprio mundo sem a interferência de ninguém. Não o tempo todo, é claro. Mas gosto, gosto muito. Não dizem por aí que estar sozinho é uma tragédia e que assim não pode ser? Eu, particularmente, não acho. Quando estou sozinha consigo criar, voltar no tempo, projetar o futuro, refletir o presente. Consigo me apropriar de conhecimento, consigo ouvir com total nitidez os pingos de chuva, o som dos passarinhos nas árvores perto de casa, consigo viajar no mundo da leitura. Gosto de criar projetos e realizá-los.


Por outro lado, saindo deste estágio momentâneo, gosto também de interação, compartilhamento de ideias e sentimentos. Gosto de escrever para alguém e receber de volta a resposta, gosto da riqueza de detalhes das coisas, de observar o inobservável. Gosto de demonstrações de carinho, gosto de me sentir acolhida e também de ser lembrada. Acho muita graça em caretas... E gosto de ser compreendida, mas que, quando eu não consiga compreender, que alguém me mostre o caminho para que isso aconteça.

Música. Sou apaixonada! Não qualquer uma, mas por aquelas que já chegam esbarrando em meus ouvidos e tocando minha alma. Calmas ou agitadas, lentas ou dançantes, as melodias servem para tudo e conseguem atingir qualquer momento desejado. Inspiração da melhor qualidade. 

E sorrisos. Sou fã de sorrisos verdadeiros e gargalhadas sinceras. Do tipo que não encontramos em qualquer esquina. Gosto dos amigos. Gosto da convivência em família. De animais e de suas manifestações humildes de carinho. Amo a minha mãe! Gosto da internet e do mundo de explicações e experiências que ela é capaz de possibilitar. Gosto de livros, de sentir suas páginas e de mergulhar em suas letras. Gosto de fotografias e de seus detalhes, de pensar no quanto somos capazes de mudar, em todos os sentidos possíveis e imagináveis. Gosto muito de dançar, gosto de sair por aí com a minha família. Gosto de passeios junto à natureza e de mostrar coisas novas para as minhas filhas. Mas também gosto dos programas para adultos e de me reunir com pessoas agradáveis.

Gosto também da sensualidade, de analisar olhares. E gosto de sexo: bem vivido, sentido e compreendido. Daquele jeito no qual você se sente totalmente valorizada e admirada, onde seus desejos são levados em consideração antes, durante e depois. E gosto também de fazer o mesmo, afinal a recíproca tem que ser verdadeira, senão nada acontece. Um Martini com aquela cerejinha no fundo do copo fecha com chave de ouro.

Gosto da espiritualidade. De vivenciá-la e conhecer os seus caminhos. Gosto das coisas de Deus e de tentar realizar a reforma íntima todos os dias de minha vida, embora não seja fácil conseguir ser exemplo todos os dias e para todas as pessoas.

Gosto também de estudar e de escrever. Tenho uma sensação de muito bem estar quando consigo aprender conteúdos novos e enchê-los de significados. Gosto de me reinventar sempre que possível.

São muitas as coisas que gosto: bailes de formatura, uma roupa bem bonita, estar sempre com as unhas bem feitas (embora nem sempre seja possível), sair de casa todos os dias para encontrar novos desafios, de ouvir as tagarelas das minhas filhas cantando para mim, de sentir o carinho delas. Gosto das brincadeiras de criança e das perguntas que elas fazem. Gosto até de desenho animado... Gosto também de ouvir as coisas que meu marido me conta com euforia, gosto de amar e ser amada. E gosto da Léia lá do meu trabalho. Como ela, ainda não conheci ninguém...

É fascinante parar para refletir sobre coisas tão simples e ter como resultado uma visão panorâmica e tão profunda da vida. Gosto de momentos em que posso parar para escrever coisas assim. Talvez eu seja mesmo uma sonhadora... 

Mas eu gosto mesmo é de ser feliz.


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sábado, 1 de setembro de 2012

Promoção "Leia, comente e ganhe!"

Amigos leitores,

Estamos com saudade de trocar ideias com todos vocês... por isso, a partir de hoje temos uma novidade imperdível para os amantes de uma boa leitura: está no ar a promoção exclusiva do blog Fluindo o Olhar!

Para participar da promoção é muito simples! Basta votar através de comentários bem formulados em um texto de cada um dos autores do Fluindo. Mas atenção: é necessário um texto por autor do Fluindo, totalizando 3 textos do blog por comentarista.

PREMIAÇÃO: Os 03 melhores comentaristas ganharão um exemplar do livro ``A Herdeira do Silêncio``, da escritora Jenny Rugeroni (diga-se de passagem, uma excelente leitura!). 

Conheça mais sobre a obra e a autora clicando aqui. 

Existem várias maneiras de vocês escolherem seus textos preferidos por autor do blog e o mais fácil deles é fazendo uma busca por nossos nomes. Para isso, bastar clicar no canto superior direito do blog e digitar o nome de cada autor: Jenny Rugeroni, Viviane Righi ou Marcus Alencar. Deste modo, vocês terão acesso a todas as postagens de cada um. 

O prazo final para sua participação é dia 30 de setembro e os nomes dos ganhadores serão divulgados no dia 06 de outubro de 2012.

Venha e chame seus amigos... Queremos saber a opinião de vocês, ajudar no incentivo à leitura e presenteá-los com aquilo que mais gostamos de fazer: uma boa e emocionante viagem pelo mundo da leitura. Tudo isso de forma gratuita e entregue pelos correios, com toda comodidade!

Vamos lá! Participem!


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domingo, 26 de agosto de 2012

O direito de ser eu mesma

Já sofri muito na vida por tentar me adequar aos padrões criados por outras pessoas. Sempre havia alguém me dizendo que eu preciso ser mais agressiva, mais ambiciosa, mais autoritária ou indiferente. Eu me esforçava para mudar, não conseguia, e me sentia deslocada, sem conseguir encontrar meu lugar no mundo. Hoje em dia, ainda ouço isso com frequência. Mas aprendi que não existe apenas uma maneira correta de ser, e que o mundo já está cheio de pessoas agressivas, ambiciosas, autoritárias e indiferentes. Não preciso ser mais uma. Decidi que meu propósito na vida é me tornar uma pessoa melhor, e me esforçar para deixar o mundo melhor do que era quando eu cheguei. É claro que essa decisão tem um preço. Muita gente me vê como uma fracassada, sempre cheia de dívidas, com uma carreira profissional que não sai do lugar. Vejo pessoas mais jovens sendo promovidas rapidamente, porque possuem a ambição que falta em mim. Passei anos perseguindo o sucesso material e financeiro, mas ele não veio. No final das contas, será que ele é tão importante assim? O limite de minha ambição é bem definido: jamais faço qualquer coisa que contrarie os meus valores para ganhar dinheiro. Mas talvez meus valores sejam mais rígidos que os da maioria; talvez o que é normal para os outros, não seja para mim. Aos que me acusam de viver “no mundo da lua”, fora da realidade, só tenho a dizer que a realidade não se limita a viver setenta ou oitenta anos correndo atrás de dinheiro. Que o mundo é muito maior do que as nossas preocupações mesquinhas, e que é preciso mudar a nossa perspectiva, do contrário passaremos a vida toda perseguindo coisas transitórias, em detrimento daquelas que são duradouras. Mas junto com a incompreensão das pessoas, vem a maravilhosa sensação de liberdade que temos quando olhamos a vida do ângulo correto. Diante da eternidade, nossos problemas momentâneos tornam-se grãos de areia. O que levarei deste mundo? Apenas o que eu sou, o amor que doei e recebi. No final das contas, nada importa além disso...

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domingo, 19 de agosto de 2012

Novos autores na Bienal do Livro: sexo, amor e dor

Estive na Bienal do Livro de São Paulo esta semana, para divulgar meu livro "A Herdeira do Silêncio". Fui de ônibus (Deus me livre dirigir em São Paulo... ) e andei o dia inteiro lá dentro, conversando com todo o mundo e descobrindo novidades. Cheguei em casa às três horas da manhã, morrendo de fome e com dores no corpo todo - definitivamente, quem inventou que mulher tem que usar salto alto para estar bem vestida merece apanhar! Mas valeu a pena cada segundo... Não vou comentar sobre as grandes editoras e sobre os best-sellers, porque não iria acrescentar nada ao que já está na mídia. Em meio a tantos livros, fica difícil escolher! Principalmente para alguém como eu, que quer ler todos e não tem tanto dinheiro assim. Quero aproveitar este espaço para falar dos novos autores que conheci lá, afinal estamos "no mesmo barco", lutando pelo sucesso num país onde qualquer um consegue publicar um livro, mas são poucos os que lêem.

Tive o prazer de conversar com vários escritores e profissionais do mercado editorial. Ganhei alguns livros, troquei outros, e comprei mais alguns. Até o momento consegui ler dois. Desejos Revelados, de Cris Oliv, narra um caso de Síndrome de Estocolmo, ou seja, uma patologia na qual a vítima se apaixona pelo seu sequestrador ou agressor. Na capa do livro aparece a frase: Proibido para menores de 18 anos. A autora me explicou: foi uma exigência da editora, porque o livro tem algumas cenas "fortes". Quando comecei a ler, no entanto, vi que a narrativa tem muitas, muitas cenas de sexo. Mas estão dentro do contexto de uma história violenta e revoltante. Ao contrário do que pode parecer, o livro não se aprofunda nos aspectos psicológicos dos personagens, nem explica o que leva uma mulher madura e bem-sucedida a acreditar em um mau-caráter bonitão. Ela fica tão iludida, tão envolvida nas mentiras que ouve, que não percebe o absurdo da situação nem o sofrimento que irá lhe causar. Pensa que está apaixonada, quando tudo se resume a sexo. Marta, de Breno Melo, também tem muitas cenas de sexo, mas o foco principal é psicológico. A adolescente protagonista sofre de transtorno bipolar, e está apaixonada por um rapaz que não parece se importar muito com ela. Cheguei a me perguntar se eu também não fui uma adolescente bipolar sem saber: naquele tempo todas as minhas emoções eram extremas, tudo que acontecia era muito bom ou muito ruim. Mas fazer tempestade em copo d'água é normal nessa idade; o que foge à normalidade é alguém gostar tanto de alguém e tão pouco de si mesma, a ponto de ser feliz ou infeliz exclusivamente em função do que a outra pessoa fizer.
      Quanto ao meu livro... em um evento como esse não se ganha dinheiro; vender trinta, quarenta ou cinquenta livros ganhando uma porcentagem sobre o preço de capa é apenas o suficiente para pagar a passagem de ônibus e a alimentação. Mas os contatos que fiz e as possibilidades que surgiram não me deixaram dormir, por mais exausta que eu estivesse. É mais ou menos como espalhar sementes. Vamos esperar pelos frutos...

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Lata velha

Numa cidade do interior como a nossa, todo o mundo sabe qual é o carro que você tem. Principalmente se for alguma coisa que chame a atenção, tipo uma lata velha com alguns amassados e com a pintura toda trincada. Se você olhar para o painel e vir um livro (ou dois, ou três), pode ter certeza: é o meu carro mesmo! Ter um veículo assim torna-se uma espécie de “marca registrada”. As pessoas me conhecem pelo carro. Alguns me perguntam por que eu não troco esse por um mais novo. Não gosto de reclamar de falta de dinheiro, mesmo porque acho que estou melhor do que muita gente, então respondo que tenho outras prioridades no momento. O que dá na mesma, afinal comer é uma dessas prioridades. O carro está feio, mas me leva onde preciso ir. Já viajei muito com ele, peguei estradas boas e ruins, levei meu filho e a galera para muitos acampamentos em locais de difícil acesso… não dá para fazer isso com um carro novo, dá? Mais ainda do que nos grandes centros, nas cidades pequenas onde todo o mundo se conhece o carro é um símbolo de status e poder. Não é incomum ver pessoas que comem arroz com farinha em casa, só para poder desfilar com carrões financiados em prestações muito acima de suas condições. Outro dia um cidadão teve a infelicidade de comentar que deveria ser proibido circular por aí com carros com mais de dez anos de uso. Ao que respondi que cada um anda do jeito que pode, e antes um carro velho pago do que um carro novo financiado. A vaidade dessas pessoas não tem fim. Existem ainda aquelas mulheres que só querem sair com quem tem carrão. Quando conheci meu namorado, ele tinha uma Marajó 83... um carrão, mesmo! Hoje em dia é raro encontrar um carro daquele tamanho... Deixando de lado o valor sentimental, o carro passou a ser um símbolo do tipo de pessoa que sou, avessa a toda forma de ostentação. Não tenho vergonha de ser quem eu sou, de dizer que já trabalhei na roça, que só consegui fazer faculdade com mais de trinta anos. Confesso que me dá até um certo orgulho. Lá no fundo, meu desprezo pela futilidade alheia também é uma forma de vaidade.

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

O atendimento coxinha do profissional ``campeão``




Todos sabem que o dia tem 24 horas, mas quando uma pessoa está com pressa parece que o tempo avança como nunca. É como se cada minuto fosse crucial, pois  uma meta para ser batida. Sem tempo para reflexões ou observar erros inevitáveis. E isso acaba gerando vários efeitos negativos para a sociedade. Um deles é a proliferação de profissionais realizando atendimentos de má qualidade.

Eles podem até ter qualificação profissional e potencial para fazer um trabalho competente que seja digno de elogios, mas devido a vários problemas essas pessoas acabam sabotando suas próprias capacidades. Não estou generalizando nenhum setor de atendimento em específico e nem restringindo esse problema em apenas uma questão. Afinal, trata-se de algo complexo que envolve questões como salário, formação pessoal e profissional.

Mesmo assim, por uma questão de ética, acredito que um profissional nunca deve esquecer que seu paciente/cliente é um ser humano. Por exemplo, basta os ponteiros do relógio apertarem o cerco e a lembrança de que aquela pessoa tem um plano de saúde e/ou odontológico virem a tona que as prioridades logo se invertem. Engana-se quem pensa que isso é garantia de bom atendimento. Terminar logo um atendimento, ignorar avisos de dor, esquecer de explicar procedimentos importantes são apenas alguns exemplos de um trabalho com o público feito ``na  base das coxas``. Isso sem mencionar a aparente dificuldade em se comunicar com pessoas diferentes de forma adequada.

No inicio do texto, citei o termo do profissional ``campeão``. E nada melhor do que explicá-lo através de um breve diálogo fictício que funciona como exemplo. A história é a seguinte: Júnior tem 16 anos e vai ao consultório sozinho pela primeira vez tratar de uma dor de barriga muito estranha.

- Bom dia, Dr. Marcelo, posso entrar?
- Entra ae campeão. E ai, o que cê manda?
Júnior sem graça e surpreso com a recepção calorosa diz - Então...eu estou uma dor de barriga
muito estranha. Acho que...
Do nada sua frase é interrompida pelo médico antes de terminar.
- Ah, já sei, cê caiu na gandaia ontem com a mulherada, né, e exagerou na dose, não é?
- Não, eu quase não saio de casa.
- Bom, faremos assim.... (do nada surge um bloco de receita do qual o médico rabisca um nome de remédio e entrega para o rapaz com uma velocidade maior do que um jato de tinta)
- O que é isso?
- É uma receita de um remédio para sua barriga. Tome de uma a duas vezes por dia e sem balada por uma semana. Finaliza o médico com sorriso bem sacana.

Com certeza, alguém que está lendo este texto já passou por uma situação como essa ou até pior. Mas o que mais incomoda é justamente isso, saber que problemas como esse AINDA existem e com tanta força. Por esse motivo, é bom lembrar que um bom atendimento faz toda a diferença. Além de ser nosso direito, é também uma forma de respeito com o ser humano.
  

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domingo, 24 de junho de 2012

As mulheres de Jorge

Apesar da minha eterna falta de tempo, andei assistindo alguns capítulos de "Gabriela". Só por curiosidade, para saber como ficaram os personagens, e se a história contada na TV está sendo fiel ao livro. O cenário não mostra a pobreza e o atraso que imaginamos ao ler, mas a Juliana Paes está mesmo "a cara" da Gabriela... foi uma escolha perfeita para o papel! Desde que eu era criança - e ainda hoje, apesar de tanta modernidade - vejo pessoas que ficam chocadas com as histórias de Jorge Amado. Alguns dizem que ele defende a promiscuidade, outros que no Nordeste é assim mesmo, as pessoas só pensam "naquilo". Como se o sexo não fosse uma das forças mais poderosas que movem o planeta. Alguém pode me dizer por que um homem se esforça tanto para ter dinheiro, posição social e um belo carro? Ou por que uma mulher passa por situações torturantes para ter um corpo perfeito? Pena que existam tantos leitores superficiais, que não conseguem perceber o que está nas entrelinhas da escrita fácil e agradável de Jorge. Porque, na verdade, o que ele defende não é a promiscuidade, e sim a liberdade de cada um para agir de acordo com o que sente. Ele desmascara a hipocrisia de uma sociedade onde se vive de aparências, onde os homens podem tudo e as mulheres direitas ficam trancadas em casa, vivendo para servir aos maridos. E assim, ele nos leva a simpatizar com a adúltera Sinhazinha, jovem e bonita, tratada sem nenhum carinho pelo marido velho e feio. Ou com a garota Malvina, que não aceita as imposições da sociedade e luta para viver à sua maneira, desafiando o pai autoritário. Como não gostar de Gabriela, simples e ingênua, a quem o apaixonado Nacib tenta transformar em uma senhora da alta sociedade? O processo de criação literária é surpreendente. Estou trabalhando em meu novo livro, e os acontecimentos mais corriqueiros podem trazer a inspiração para uma cena ou um diálogo. A protagonista - uma jovem do interior que vai para a cidade grande com o propósito de, em suas palavras, "buscar uma oportunidade nesse mundo cão" - vai criando vida própria, chora no ônibus lotado, arranca os incômodos sapatos que mordem-lhe os pés e senta-se no tapete para brincar com o filho, ou no banco da praça para ouvir o rapaz que toca violão. Há alguns meses, conversando com o amigo Marcus Alencar, eu a defini como "uma Gabriela dos dias de hoje". Ela também terá que enfrentar a hipocrisia que torna as pessoas míopes, porque "pensam que enxergam toda a complexidade de uma situação, quando apenas arranham a superfície". Depois desses anos todos, Jorge Amado continua atual.

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A árvore na calçada

(na foto, algumas de minhas queridas plantas...) Há alguns anos, quando fiz o projeto da minha casa, um motivo de discórdia entre eu e o engenheiro foi a árvore que alguém plantou bem no meio da calçada. Para que a árvore pudesse ficar, alterei o tamanho da garagem, e o engenheiro insistiu comigo que em um espaço de 4,25 metros não cabem dois carros, que meus filhos estavam crescendo e eu tinha que pensar no futuro, etc, etc. Resolvi o problema fazendo uma rampa na lateral da casa: se necessário, os dois carros ficam um na frente do outro. Mas nem precisava; depois da garagem pronta, constatamos que cabem dois carros, ainda que com um pouco de dificuldade (o motorista do primeiro carro tem que descer antes de guardar o segundo, do contrário não sobra espaço para abrir a porta). Enfim, nada que não possa ser contornado. Agora estou terminando a casa, e vieram me dizer que vou ter que cortar a árvore. Que ela vai ficar muito grande, vai arrebentar minha calçada, o encanamento e o piso da garagem. Não consegui dormir naquela noite. Uma árvore a mais, uma a menos, que diferença faz? Afinal tenho mais duas árvores menores na mesma calçada, e mais de vinte nos fundos da casa. Mas só mesmo quem se relaciona com as plantas da mesma forma que eu pode entender isso. Eu converso com elas, e olho para elas como seres vivos, capazes de sentir dor e alegria assim como nós. Quem é que sabe? Quando abraço uma árvore, posso sentir uma espécie de pulsação ou fluxo de energia passando por ela. E assim, ter que cortar uma árvore equivale a ouvir que o seu gato ou cachorro querido precisa ser sacrificado. A sensação é a mesma. Chamei um especialista em plantas. Ele veio à minha casa, viu a árvore, pesquisou num livro de botânica e até me mostrou. Essa espécie de árvore chega a um bom tamanho, mas suas raízes crescem para baixo e não para os lados. Ou seja, não há possibilidade de quebrar o piso da garagem ou o encanamento. Fiquei tão aliviada que chorei. Apareceu uma trinca na calçada porque as raízes não estavam recebendo oxigenação suficiente. Pedi para o pedreiro tirar o cimentado da calçada. Vou plantar grama. Recentemente o pessoal da companhia elétrica veio podar a árvore, porque alguns galhos estavam muito próximos à fiação. Cheguei em casa e dei um abraço nela, como faço de vez em quando. - Cortou o cabelo, amiga? Não faz mal, ele cresce de novo...

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sábado, 12 de maio de 2012

O melhor amigo de uma mãe moderna...

Dia desses, conversando com uma mãe mais jovem sobre seu filhinho de dois anos, ouvi tudo aquilo que eu também sentia quando tinha filhos dessa idade. Junto com as alegrias e com as surpresas, vem também as noites sem dormir, as birras, a atenção que eles exigem de nós vinte e quatro horas por dia... enfim, não sei se teria coragem de passar por tudo isso de novo, embora meu companheiro morra de vontade de ser pai! Mas comentei com ela que tem o lado bom: quando os filhos têm essa idade, pelo menos a gente sempre sabe onde eles estão. Diz a sabedoria popular: filho criado, trabalho dobrado. Principalmente nessa fase em que eles pensam que já são donos do próprio nariz, mas ainda têm muito que aprender para chegar a isso. Ainda bem que inventaram o celular... Não sou aquela mãe neurótica que gruda nos filhos como chiclete, mas se não chegam em casa no horário combinado, é só apertar um botão e dizer: onde você está????? Para eles também é muito prático. Apareceu alguma coisa interessante depois da aula? Mãe, vou para a casa do fulano. Começou a chover? Mãe, vem me buscar! Toda vez que tenho que ficar até mais tarde no trabalho, o celular não falha. Antes de atender, digo ao colega do lado: quer apostar que é meu filho? E quando atendo, ouço aquela voz cheia de preguiça do meu caçula, que deve ter ficado horas no videogame. Mããããe??? Que horas você chega? Meu filho mais velho é especialista em responder com monossílabos. Oi, filho. Oi. Você está bem? Tô. Você vai na festa hoje? Vou. Já o mais novo gosta de contar tudo que está acontecendo. Mãe, hoje aconteceu um acidente na esquina do meu trabalho. Foi um motoqueiro, e parece que ele se machucou muito porque a ambulância veio correndo. Tá legal, filho, quando eu chegar em casa você me conta direito. Agora, existem situações em que o celular se torna nosso inimigo. Como num começo de noite em que eu estava sem carro, fui dar uma volta de bicicleta com minha irmã e tivemos que nos esconder da chuva na casa de minha madrasta. No meio de uma conversa super-animada entre mulheres, chegou uma mensagem estranha de meu filho mais novo. Adeus, não me procure. Se algum dia te magoei, peço desculpas. Meu Deus! Será que meu filho fugiu de casa???? Tentei ligar para ele, mas o maldito celular estava desligado. Continuava chovendo lá fora, já estava escuro, e eu não tinha como sair à procura do garoto. Telefonei para o trabalho dele, o patrão disse que ele tinha saído há meia hora. Fiquei apavorada! Minha irmã tentou me acalmar: deve ser alguma brincadeira de mau gosto de algum amigo que pegou o celular dele. Eu tentava entender: de manhã, quando ele saiu de casa, parecia estar tudo normal... Foram vinte minutos intermináveis, até que meu celular tocou: era do telefone fixo de casa. Mãe, você vai chegar logo? Estou com fome... Depois ficou tudo esclarecido. O garoto passou o dia ouvindo música no celular, e acabou com a bateria. A tal mensagem era para uma menina (rolo? paquera? ficante? sei lá qual a definição que estão usando hoje em dia) e ele mandou para o meu celular por engano...

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