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terça-feira, 13 de março de 2012

Opinião - Tablets nas escolas?

A utilização cada vez mais crescente de novas tecnologias tem ocasionado equívocos quando o assunto é “educação”. O tablet, por exemplo, é uma tecnologia muito interessante, mas não creio que ele possa vir a contribuir com a qualidade da educação brasileira – pelo menos na atualidade.

Vamos imaginar, neste momento, turmas de ensino fundamental utilizando este dispositivo ao invés dos materiais tradicionalmente utilizados nas escolas: para as crianças, toda novidade gera curiosidade. Imagine agora essas crianças com um tablet nas mãos, em plena sala de aula. Os recursos todos ali, disponíveis, além das tentadoras redes sociais, vídeos, jogos... Provavelmente a preocupação e interesse pela ferramenta será muito maior do que o interesse pelas aulas e conteúdos a serem trabalhados em sala.

Sim, existe um contrassenso, pelo menos quando pensamos na educação brasileira, levando-se em consideração a estrutura familiar da maioria dos alunos e os importantes objetivos que ainda nem foram alcançados ao longo dos tempos – quanto a isso, existe ainda um extenso caminho a ser percorrido!

Outro fator a ser analisado é que a implantação deste tipo de recurso nas escolas exigiria muito mais do que a aquisição dos aparelhos. É necessário que se pense em logística, gastos com manutenção e reposição, treinamentos tanto para os docentes quando para os alunos e uma grande reforma no ensino.

De outra forma, sem os devidos investimentos e sem a adequação necessária, em todos os níveis, o uso do tablet nas escolas será mera novidade e distração para os alunos, capaz até mesmo de prejudicá-los em relação ao aprendizado, à administração do tempo disponível e, para professores pouco familiarizados com as novas tecnologias, uma grande “dor de cabeça”.

(Texto produzido especialmente para uma APO do curso de Pedagogia do EAD CESUMAR)

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Outros carnavais...


Ele já passou dos quarenta anos, mas continua apaixonado pelo carnaval. Não é só pela música ou pela folia, mas também pela oportunidade de rever velhos amigos (nesta época do ano, quem foi morar nas cidades grandes aproveita para descansar um pouco aqui na terra dos crepúsculos). Nosso carnaval continua tranquilo, familiar e quase sem violência, tanto que nos últimos dois anos meus filhos adolescentes tem nos acompanhado madrugada afora, com muito mais alegria e disposição do que a gente.
Lembro-me do primeiro carnaval que passamos juntos, um mês depois de nos conhecermos. De lá para cá ele engordou, e em seus cabelos pretos aparecem fios prateados. Mas o perfume, e aquele jeito de me olhar como se fosse um garoto descobrindo o mundo, continuam iguais. Ele ainda é o homem mais interessante da festa. A gente não fica mais dançando o tempo todo. Ele sente dor nos joelhos, eu não sei dançar essas músicas de hoje, e sou tímida demais para me arriscar a "pagar mico" num lugar onde a média de idade é vinte anos a menos do que a gente. Minha cunhada que vem de São Paulo todo ano, e que aos quarenta e quatro anos tem uma energia de dar inveja a muitas garotas de quinze, reclama que a banda não toca quase nenhuma música dos velhos carnavais. Desde quando Michel Teló ou os Mamonas Assassinas tem alguma coisa a ver com a folia? Quando começam as músicas que estão na moda, meus filhos somem. Não me preocupo. Eles não vão beber, fumar ou nada desse tipo; tudo que querem é dançar, e encontrar alguém para beijar muuuuuuitooooo...
Aproveitamos a ausência das crianças para namorar um pouco. Depois de tanto tempo, ainda é bom demais ficar no meio da multidão, nos beijando, como se tivéssemos acabado de nos conhecer. Não tem jeito: continuo apaixonadíssima por ele...
No dia seguinte eu acordo tonta. Sinto dores no corpo todo. Vou lavar o rosto, que ainda tem resquícios de maquiagem, e vejo aquelas olheiras enormes. Me dá uma insegurança, olho para ele e digo:
- Estou ficando velha, não é?
Ele me abraça, aponta para o espelho, e vejo sua imagem refletida atrás da minha.
- Está vendo? Vamos ficar velhos juntos...

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Confissões de uma ex-magra...


Todo começo de ano é assim. Depois da comilança das festas, juro que vou fazer dieta. Vou ao supermercado e encho a geladeira de verduras, faço até uma programação de atividades físicas, compro um tênis de corrida, mando consertar a bicicleta. Mas em meio a tantas tarefas acabo ficando com preguiça, comendo os divinos pães de queijo da padaria próxima ao meu trabalho, ou aquela barra de chocolate para acabar com o stress. E vou empurrando com a barriga, que fica maior a cada ano que passa...
Para quem me conhece há menos de dez anos, juro que é verdade: eu pesava cinquenta e quatro kilos! Mas a vida boa, as distâncias que me obrigam a ir de carro para todo lugar, além da idade (como não poderia deixar de ser) me fizeram engordar mais dezoito, chegando aos setenta e dois. O manequim passou de 38 para 44. Que pouca-vergonha!
De acordo com os médicos, meu peso ainda está dentro do considerado normal para minha altura e para minha idade. Mas na prática, basta me olhar no espelho para saber: estou mesmo um pouco (ou muito, depende do ponto de vista) acima do peso.
Acho que isso acontece com quase todo o mundo. À medida que vou me aproximando dos 40 anos, meu guarda-roupa vai mudando. Os vestidos curtos e justos dão lugar a outros, mais soltos e compridos, que disfarçam as imperfeições... Por outro lado, eu que aos vinte anos mal tinha coragem de usar uma blusa de alcinha por causa das saboneteiras, passei a gostar de decotes poderosos. Sinto-me mais feminina e bem resolvida do que no passado.
Engraçado como as mulheres querem desesperadamente ter um corpo de top-model, mas os homens parecem gostar mais de "ter onde pegar". Quando mostrei ao meu companheiro umas fotos minhas com dezenove anos, ele comentou: "nossa, como você era magra, que horror!"
Eu seria hipócrita se dissesse que não me preocupo com nada disso. Mesmo porque, se não me preocupasse, eu nem estaria escrevendo sobre o assunto agora. Mas penso que a auto-estima, a alegria de viver e uma personalidade agradável contribuem muito mais com a beleza do que estar no peso ideal.

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sábado, 7 de janeiro de 2012

Fases



Todo mundo tem um lado, seja ele sensível, chato, brincalhão, criativo ou qualquer outro adjetivo possível. Cada pessoa que conhecemos nos vê de uma forma diferente. Você pode até montar um quebra cabeça com tantas peças soltas por ai. Às vezes nem sempre a forma com o outro nos enxerga e entende encaixa com a realidade assim como é muito difícil conhecer para valer alguém em tão pouco tempo, ainda mais se o contexto for muito ``corrido``. Porém, trata-se de algo relativo e, por isso, não podemos generalizar já que toda relação tem uma natureza diferente.

Dito isso, sabemos que tirar conclusões precipitadas é errado, pois pode gerar futuros pré-conceitos. No entanto, ninguém está livre de errar nessa vida. E apesar dos erros terem um ``gosto`` horrível nunca devemos esquecer de aprender com eles. Afinal de contas, é caindo que se aprende a levantar. Mas esses detalhes não tornam as coisas mais fáceis. Só nos deixam cientes de algumas certezas necessárias.

Entender uma pessoa é muito mais complexo do que se imagina. Acredito que o caminho mais fácil para se chegar mais ou menos perto disso seja adaptar seu ponto de vista. Uma sugestão seria ver que somos como a natureza ao nosso redor. Temos dias de chuva ou de muito sol. Às vezes, o tempo fica meio morno, tipo cinza, nem tanto ao sol ou mar. E em outros tempos, simplesmente fazemos brotar de nós mesmos aquela semente plantada há tanto tempo.

Pegando essa questão da forma mais simples, posso dizer que isso tudo seria resumido com a seguinte palavra: fases. Somos seres de fases. Algumas são de transição e outras são apenas reflexo do momento. Não é fácil percebe-las a olho nu em outra pessoa visto que se trata de algo mais intimo, como uma caixa de segredos que só pode ser aberta com a permissão do dono.

Enfim, não importa a fase em que você esteja, é certo que será passageira, pois nessa vida estamos sempre indo para alguma direção, mudando e amadurecendo. Esse é o efeito da ação do tempo que nos torna seres mutantes em constante crescimento. E cabe apenas ao tempo e somente ele mostrar o resultado de todo esse processo.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Tempo de amar


Dezembro... há algo diferente no ar, as pessoas ficam mais alegres com o Natal que se aproxima. Os familiares chegam de longe, há sorrisos e abraços, as picuinhas do dia-a-dia ficam esquecidas. Nos sentimos mais generosos (será que é por causa do décimo-terceiro na conta?) e queremos fazer tudo que não fizemos no ano inteiro.
Nesta época fala-se muito em solidariedade, em ajudar o próximo, e isso é muito bonito. Afinal, existe coisa mais triste do que passar o Natal sem ter nem o que comer? Um pacote de arroz custa menos que dez reais, quase nada para quem doa, e para quem recebe faz uma diferença enorme.
Mas gostaria de convidá-los a ir além. Se uma cesta básica pode tornar melhor o Natal de alguém, ele pode ser inesquecível se junto com ela oferecermos algumas das pequenas alegrias às quais nós temos acesso. Um brinquedo ou uma roupa de boa qualidade, uma caixa de bombons, enfim, um presente dado com amor para uma pessoa que é igual a nós, exceto pelo fato de não ter tido as oportunidades que nós tivemos.
Houve um tempo em que eu me sentia sozinha e infeliz. Achava que os outros tinham tudo, e eu nada. Mas quando descobri o prazer de poder doar algo de mim, descobri também o quanto a minha vida é cheia de riqueza. Quando fazemos alguém sorrir, o que acontece é uma troca. A gratidão e o amor que recebemos de volta não tem preço!
Não nos esqueçamos do verdadeiro sentido do Natal, que é celebrar o nascimento de Jesus. Ele nos mostrou o caminho a seguir, ensinando-nos a amar o próximo como a nós mesmos.

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domingo, 18 de dezembro de 2011

A mãe tigre e outros bichos

A mãe tigre e outros bichos

Estive folheando o livro “O grito de guerra da mãe tigre”, da chinesa Amy Chua. Ela fala sobre a educação de suas duas filhas de acordo com os rígidos e tradicionais padrões orientais, em comparação com a liberdade total dos jovens dos Estados Unidos, e defende os bons resultados obtidos. Todo esse esforço resultou em duas moças obedientes, sensatas e perseverantes em seus propósitos, conscientes de que é o mérito – e não a sorte – que leva ao sucesso. Mas será que é tudo tão perfeito assim?
De certa forma, me identifiquei com várias passagens do livro. Sou filha de imigrantes europeus, e eu e minhas irmãs fomos educadas de acordo com padrões muito rígidos. Entre outras coisas, éramos obrigadas a almoçar e jantar com livros debaixo dos braços, para aprender a maneira correta de nos sentarmos à mesa. Ninguém podia começar a comer antes que todos estivessem servidos, ou sair da mesa antes que todos acabassem a refeição. Não era permitido dirigir a palavra às visitas, só podíamos falar com elas se nos perguntassem alguma coisa. Ainda me lembro de meu pai fazendo chamada oral sobre temas como William Shakespeare ou o Teorema de Pitágoras, muito antes de aprendermos na escola. Uma nota inferior a oito no boletim era considerada como nota vermelha, e motivo para diversos castigos. Quando completei doze anos, ele me disse: nesta casa quem não trabalha não come. E eu não descansei até conseguir um emprego.
Parece absurdo? Acreditem, na época a gente não conseguia ver nada de anormal nisso. Absurdo era o que os vizinhos faziam. Comer sentado no sofá, com a televisão ligada. Pedir permissão aos pais para faltar à aula, porque estava cansado. Falar palavrões. Dormir tarde. E acordar só quando tivesse vontade. Assistir novela ou qualquer programa de televisão que fosse “para adultos”. Isso nos deixava chocados. Verdade, éramos mesmo muito “caretas", porque nossa visão partia do princípio de que o normal era o que acontecia em nossa casa.
O lado bom disso é exatamente aquilo que a mãe chinesa expõe no livro. Minhas irmãs e eu desenvolvemos valores como o respeito, a honestidade e o amor ao trabalho. Mas deixamos a desejar em outros aspectos valorizados pela cultura moderna: a capacidade de dizer aquilo que pensamos sem medo de magoar, de reagir à altura quando alguém nos ofende. Falar de nossas qualidades soa como falta de educação. Mas existem situações – numa entrevista de emprego, por exemplo – em que isso é absolutamente necessário. E por mais esclarecidas, por mais experientes que nos tornemos, lá no fundo fica sempre a sensação de não ser boas o bastante, de estarmos sempre erradas aconteça o que acontecer.
Com meus filhos, procuro sempre o caminho do meio. Nem tão rígida quanto meus pais foram comigo, nem tão à-vontade como é de praxe hoje em dia. Eles precisam de limites e de valores sólidos, mas também de espaço para desenvolver a liderança e a assertividade. Precisam saber o seu valor e ter amor-próprio na medida certa, mas não podem achar que tudo lhes é devido ou que o mundo gira ao redor deles.
Também não posso dizer que o meu modelo de educação seja perfeito. Mesmo porque nem sempre consigo agir em conformidade com aquilo que penso. Por mais que nos esforcemos, a prática é sempre diferente da teoria. O equilíbrio é mais difícil de atingir do que parece. O tempo todo, erramos tentando acertar.
Mas o fundamental é que tudo isso seja feito com amor. Que ao invés de buscar o caminho mais fácil, nossas decisões sejam tomadas pensando no futuro de nossos filhos. Que neste mundo tão cheio de teorias, possamos transmitir para eles nossos valores, ainda que pareçam ultrapassados, e educar pelo exemplo. Porque a transformação do mundo começa dentro de casa.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um pouquinho sobre inclusão social nas escolas

Muito se tem falado sobre a questão da inclusão social. No contexto escolar, um dos aspectos relevantes a serem levados em conta se refere aos professores e sua formação.

Um professor capaz de promover práticas integradoras na escola deve ser, acima de tudo, um profissional empreendedor, que realmente acredite na educação e que esteja disposto a buscar respostas para suas indagações. Uma boa formação profissional não é adquirida somente durante um curso de graduação, mas no decorrer de toda a carreira docente. Todos os dias se faz necessário aprender algo novo, buscar alternativas para vencer as dificuldades, pesquisar novas maneiras de proporcionar aos alunos uma aprendizagem significativa de acordo com suas potencialidades, desenvolvendo e aprimorando meios para que o ambiente da sala de aula seja cada vez mais interessante e acolhedor para todos os que dela participam.


Trabalhar com alunos inclusivos requer muita habilidade, paciência e dedicação. Nem sempre as instâncias responsáveis ou a própria escola oferecem aos docentes recursos para que estes desempenhem com excelência esta tarefa tão importante e de imensa responsabilidade. Mas não se pode cruzar os braços perante a realidade, hoje, repleta de obstáculos. O professor não deve deixar de produzir algo positivo para a formação não apenas destes alunos, como também de todos os outros que, diretamente, participam da inclusão social juntamente com os colegas com necessidades educacionais especiais.

Independente das dificuldades individuais, estes alunos são dignos de todo o respeito e dedicação em relação à sua formação integral. Daí se faz necessário reforçar o importante papel do professor / educador neste contexto; o conhecimento científico aliado à prática docente e à criatividade são capazes de proporcionar contribuições valiosas para estes alunos.


Quando os professores realizam um trabalho realmente integrador é notável o desenvolvimento demonstrado pelos alunos ao longo do tempo, de acordo com o ritmo de cada um, bem como suas limitações naturais. O trabalho de socialização juntamente com estímulos adequados a alunos inclusivos promove diferenças marcantes no decorrer da vida escolar dos mesmos.

Cada "pequena / grande" conquista é um degrau digno ao qual eles tem todo o direito de galgar.


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Escrito nas estrelas???

Apesar de ter crescido num meio onde havia muita crendice, nunca fui uma pessoa supersticiosa. Só acredito naquilo que tem uma explicação científica plausível, e ainda assim com algumas restrições. Mesmo assim, não posso deixar de me surpreender com o que dizem ser as características dos signos astrológicos.

Não tenho a menor ideia de onde vêm essas teorias, nem o que a data de nascimento pode ter com a nossa personalidade. Mas é coincidência demais quando dizem que os sagitarianos como eu falam demais, vivem cometendo gafes homéricas por conta dessa mania de dizer tudo que pensam, adoram animais e viagens, detestam rotina.

Meu signo confirma também que sou péssima dona de casa, tenho habilidades artísticas e necessito de liberdade assim como do ar que respiro. Mas estou envolvida com um virginiano extremamente racional, exigente e organizado. Como é que isso pode dar certo? É que existe um ingrediente básico em qualquer relação: o respeito pelo espaço do outro. Qualidade que eu valorizo muito, principalmente depois de três escorpianos extremamente possessivos.

Meu filho aquariano está sempre à frente do nosso tempo, domina todas as novas tecnologias e é apaixonado pela ciência. Já o meu filho taurino é extremamente teimoso, adora uma boa mesa e tende ao excesso de peso, mas também é afetuoso e maduro para a idade.

Enfim, não levo nada disso ao pé da letra. Afinal, se fosse assim, todas as pessoas nascidas no mesmo mês seriam muito parecidas, o que não é o caso. Mas vale pela diversão...

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domingo, 27 de novembro de 2011

Primeiras leituras


Fonte: clique aqui


Acho que todo mundo nessa vida deve se lembrar do primeiro contato com a leitura ou, pelo menos, daquele que foi mais significativo. Pode até chamá-lo de: o pontapé inicial marcante para conhecer novos mundos de conhecimento e imaginação. Obviamente, o estimulo para ler é um grande aliado nesse mundo. Motivação nunca é o bastante quando se trata de um tema tão importante. Sendo assim, resolvi compartilhar com vocês meu olhar sobre essa experiência.

Curiosamente, uma recordação que guardo é exatamente de quando ainda não sabia ler. Quando criança tive contato com gibis da Turma da Mônica e mesmo que não soubesse o que era dito nos balões de fala eu me divertia com os desenhos. Hoje em dia quando penso nisso, percebo que esse momento era algo que aguçava minha curiosidade em querer decifrar e entender as histórias. Por esse e outros motivos, acredito que somos todos leitores do mundo, pois o significado de ler não é restrito apenas ao mundo das palavras. Vai muito além disso.

O mundo em que vivemos é um prato cheio de significados que nem sempre são tão visíveis a primeira vista. Em outras palavras, do que adianta o esforço da leitura se formos ler apenas o superficial sem reflexão? É por esse motivo que admiro tanto as histórias em quadrinhos. Esse meio de comunicação tem a capacidade de não só estimular a imaginação como também dar recursos para que ela voe sozinha. E quem disser que o imaginário e a reflexão não combinam deve rever seus conceitos. Não falo isso apenas por ser um defensor dos quadrinhos, mas também por conhecer o potencial deles como pesquisador.

Editora Contexto

Por esse motivo, também lamento quando vejo por ai tanto preconceito sobre o tema. Afinal um exemplo do vasto potencial dos quadrinhos para o ensino está no fato de que a junção de texto e imagem estimulam ainda mais a leitura, pois exigem muito mais do leitor para ``dar vida`` a história. Mas seus benefícios não param por ai. E provas disso podem ser encontradas nos livros Como usar as histórias em quadrinhos na sala de aula (Ed. Contexto, 2004, vários autores) e Histórias em Quadrinhos na Escola (Ed. Paulus, 2004, do professor Flávio Calazans). Ambos não só discutem a respeito da utilização dos quadrinhos em sala de aula como também dão exemplos do uso deles em diversas disciplinas. 

Fonte: site do autor

Sendo assim, para que um professor utilize quadrinhos em sala de aula é preciso, antes de qualquer coisa, que esse profissional tenha uma visão ampla sobre as possibilidades que esse material oferece como, por exemplo, discutir um tema atual através de uma charge de jornal. Abordar temas como ética, responsabilidade, diversidade ou fatos históricos através de histórias de personagens conhecidas tal como Homem-Aranha, Homem de ferro e X-Men, apenas para citar alguns. Citei esses exemplos mais conhecidos como entretenimento, mas atualmente existem muitos quadrinhos que retratam momentos importantes da história, ora com uma linguagem simples aliada ao bom humor, ora de forma dramática. Nesse sentido, vale a pena citar dois exemplos. Um deles são os álbuns do quadrinista Spacca como D.João Carioca - a corte portuguesa chega ao Brasil (1808-1821), que fala sobre a chegada da família portuguesa ao Brasil. O outro exemplo é Gen, Pés Descalços, de Keiji Nakazawa, que mostra por meio de 4 livros a vida das pessoas antes e depois do ataque da bomba de Hiroshima.  Em outras palavras os quadrinhos e a educação têm tudo para serem grandes aliados no combate ao desinteresse pela leitura. Se feito de forma correta pode render bons frutos em sala de aula.

Bom, comecei o texto falando sobre primeiras leituras, mas nunca é demais ressaltar que sempre devemos manter estimulado o nosso prazer em fazer isso para que toda leitura seja tão boa quanto a primeira.




Links interessantes:


Conheça um pouco mais sobre o trabalho do quadrinista Spacca neste blog http://jubiaba.blogspot.com/
Um exemplo do uso dos quadrinhos em sala de aula http://singrandohorizontes.wordpress.com/2009/03/07/historias-para-quem-esta-comecando/

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

O "mal estar" docente - uma visão geral

A charge apresentada demonstra claramente o estilo de educação praticada anteriormente, nos moldes tradicionais, no qual o professor era respeitado e conseguia fazer valer sua autoridade como tal. Em contrapartida, atualmente houve uma grande inversão de valores na sociedade, principalmente em relação à figura do professor. Hoje, o docente precisa lidar com um público totalmente diferenciado e distante dos moldes tradicionais, pois já não é visto, na maioria das vezes, como sujeito detentor de conhecimentos e habilidades a serem transmitidas e compartilhadas, mas como alguém que precisa estar sempre à mercê das vontades, mandos e desmandos desta sociedade, que encontra-se cada vez mais consumista e individualista, privilegiando muito mais o “ter” do que o “ser”. Exceções à parte, evidentemente.

No caso das escolas particulares, o professor é visto como uma espécie de “empregado”, por assim dizer: se os pais estão “pagando”, tanto o aluno quanto a família se vêem no direito de cobrar por aquilo que consideram o mais correto, o mais justo, o mais adequado para suas necessidades, porém, muitas das vezes, sem razão alguma. E, na maioria das vezes, para não perder os alunos, mais e mais professores são obrigados a se submeter a essas “vontades, mandos e desmandos”, enfrentando situações constrangedoras e até mesmo humilhantes, muitas vezes sem o apoio dos próprios gestores.

Na educação pública, o mesmo problema é detectado, porém de forma diferenciada. As comunidades atendidas consideram a instituição escolar como uma verdadeira “tábua de salvação”, responsável muito mais pelo acolhimento social do que pela própria educação, delegando aos professores obrigações que a própria família deveria exercer como, pelo menos, o ensino aos filhos sobre noções de respeito, regras de convivência, relacionamento com as pessoas e aceitação das diferenças. Assim, a maioria das famílias atendidas negligenciam esta parte e, consequentemente, a escola tem recebido cada vez mais alunos despreparados para a convivência social, causadores de verdadeiros absurdos no âmbito escolar e principalmente fora dele. O professor, neste caso, precisa ensinar e também procurar aprender como “sobreviver” em um meio, muitas das vezes, realmente hostil.

O professor é um verdadeiro agente capaz de promover transformações nos sujeitos, através do conhecimento científico e das relações diárias de convivência. Porém, o que está acontecendo atualmente é uma crise nessa relação. O mal estar docente acontece muito mais do que se imagina e o professor não está tendo um tratamento digno, principalmente em relação às políticas educacionais postas e/ou impostas.

É preciso que o professor reaja a tudo isso de maneira corajosa e busque reverter tal situação, de forma a adquirir novamente autoconfiança e estímulo para exercer sua profissão. Não que esta seja uma tarefa fácil, simples, mas com certeza não é impossível de ser efetivada e não deve ser adiada, deixada para depois. O professor precisa estar sempre atualizado para saber como lidar com as adversidades e não deve desistir de aprender e de procurar conhecer melhor o perfil do aluno e da família contemporânea.

Comecemos o quanto antes a contribuir, de alguma forma, para a mudança dessa realidade.


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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Herdeira do Silêncio - Resenha




Provavelmente, você já deve ter ouvido alguém falar sobre a ideia de que, se fosse contar a própria história de vida, esta resultaria em um bom livro. No entanto, o que torna especial à história de vida de uma pessoa senão aquilo que a torna única? Já dizia Caetano Veloso que cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é. Isso é fato. Todos temos nossas particularidades, características e formas diferentes de enxergar o mundo e viver a vida. Talvez por isso seja tão interessante e mereça uma atenção especial o livro ``A Herdeira do Silêncio``, escrito por Jenny Rugeroni, também autora deste blog.

O livro conta a história de Alexandra Mansfield, filha de Helen Mansfield e Luís Rodrigues, irmã de Paula e Lorena. Logo de inicio, percebemos uma das características marcantes da personagem principal: a timidez. Pode até parecer estranho destacar um lado introvertido da personalidade de alguém, mas nesse caso isto está longe de ser um defeito. Ela é observadora, reflexiva e sensível à realidade onde vive, tanto que a situação social e econômica do Brasil não passa batido por seus olhos. Aliás, em meio a cada passagem vivida e relatada em cada capítulo, conhecemos um pouco mais da cidade de Santa Ângela, localizada no interior de São Paulo. Somos apresentados às dificuldades em se conseguir o primeiro emprego, à situação da saúde pública e a falta de acesso a um ensino de qualidade.

Outro detalhe que devo acrescentar sobre o livro é a insatisfação da personagem principal. Em outras palavras, é uma inquietação que nasce em Alexandra e a motiva para sempre ir além da sua condição, pois mesmo com todas as dificuldades enfrentadas ela ainda consegue seguir seu caminho, sem desistir de seus sonhos. E é muito interessante a forma como isso é mostrado, pois Alexandra narra suas próprias experiências de vida tal qual um diário. Não é um ``querido diário``,  daquele cheio de florzinhas e fotos, mas é algo muito mais amplo, profundo. Identificamos sentimentos e pensamentos da personagem e percebemos o quanto a história se mistura com o mundo real. Nesse sentido, podemos dizer que “A Herdeira do Silêncio” do titulo é alguém que não se cala, pois abre seu coração através das palavras.

E, exatamente através dessas palavras, acompanhamos fases da vida de Alexandra, não esquecendo, é claro, de descrever cenários com a mesma precisão com que fala de sentimentos. Talvez seja esse o motivo pelo qual a leitura desse livro seja algo tão especial, afinal, não são os acontecimentos em si que despertam nossa atenção e sim a forma como eles são relatados através de sua visão de mundo. Sendo assim, a palavra “silêncio” ganha uma outra forma, como se seu significado não fosse algo apenas restrito à ausência de som. Não. Nesse livro, o silêncio é como um sinônimo de liberdade.


Para adquirir um exemplo do livro, basta entre em contato com a autora através do e-mail jenny_rugeroni@hotmail.com  ou acessar a página da editor no link http://www.agbook.com.br/book/30037--A_Herdeira_do_Silencio

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sábado, 5 de novembro de 2011

Quem é vivo sempre aparece!!!

Olá, amigos leitores!

Sei que ando sumida da blogosfera e das redes sociais. Tenho estudado muito ultimamente e não estou conseguindo conciliar a blogosfera, que tanto gosto, com todas as minhas "poucas" atividades diárias de estudo, trabalho, mãe, esposa, amiga e dona de casa... (esta última, muito deprimente por sinal... : < )

Porém, sinto muita saudade desse clima gostoso da blogosfera. Sinto falta de interagir, passear por meus blogs favoritos, comentar, ler comentários... considero essa experiência fantástica e enriquecedora. Aprendo muito.

Por isso, tive uma ideia...
Como preciso mesmo escrever pequenos textos semanais abordando temas da Educação para o meu curso de Pedagogia, resolvi publicar alguns deles aqui no Fluindo. A linguagem é um pouquinho mais formal e são temas específicos, não abordados em sua total complexidade - são apenas algumas das minhas "pinceladas" nos temas.

Publicarei esses textos com uma periodicidade reduzida, para que a leitura não se torne cansativa. Pelo menos desta forma, não estarei totalmente ausente!

Deixarei então pedacinhos dos meus pensamentos sobre a Educação, com base no meu aprendizado na CESUMAR. Fiquem à vontade para ler e comentar, caso tenham vontade e paciência...

Em tempo: porque resolvi estudar pedagogia? Minha resposta está na ponta da língua: pois ainda acredito na educação como solução para todos os dilemas sociais.

Grande abraço a todos vocês, repleto de saudades!

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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Releituras


Por mais ocupada que eu esteja, não consigo deixar de ler. No ponto do ônibus, a caminho do trabalho, na sala de espera do consultório, até mesmo me exercitando na academia do clube. Não consigo dormir se não ler pelo menos um pouco. Na falta de novidades, releio um ou vários dos livros antigos que tenho em casa (são mais de setecentos – meu filho teve a paciência de contar um por um - herdados de meus pais, comprados ou ganhados). Na segunda ou na terceira leitura, sem aquela ansiedade de saber o final, descubro coisas que passaram despercebidas na primeira vez.

A Imortalidade, de Milan Kundera, pode parecer a princípio um livro difícil. Mas à medida que avançamos na leitura, revela-se um quebra-cabeças que mistura passado e presente, ficção e realidade. A partir de alguns incidentes na vida de Goethe, traça um paralelo com uma situação que ocorre entre personagens fictícios na época em que foi escrito, no início da década de 1990. Aos poucos, as peças vão se encaixando, embora haja muitas interpretações possíveis que podem escapar aos leitores mais desatentos.

O Fio da Navalha, de Somerset Maugham, conta a história de um rapaz que vê seu melhor amigo morrer na guerra e volta para casa transtornado. Embora tenha a oportunidade de se casar, trabalhar para uma empresa conceituada e ter sucesso de acordo com os padrões sociais, abandona tudo para buscar o sentido espiritual da vida e da morte. Claro que a ex-noiva, a família e os amigos não conseguem compreende-lo, mas eu me identifiquei com ele em várias passagens. Muitas vezes aqueles que são chamados de loucos são os que possuem a verdadeira lucidez.

100 Escovadas Antes de Ir Para a Cama, de Melissa Panarello, causou uma enorme polêmica quando foi publicado. Mas a vida sexual de uma adolescente italiana não é muito diferente do que acontece com as adolescentes brasileiras. Conheço várias garotas nessa idade – amigas de meus filhos, ou filhas de amigos – que me contam coisas de arrepiar que acontecem nas festinhas que frequentam. Só mesmo um observador mais atento consegue perceber que, assim como Melissa, no fundo elas estão procurando por amor, embora procurem da maneira errada. Melissa não se deixa conhecer. Quer tanto agradar aos homens que aceita fazer coisas das quais não gosta, passando uma impressão falsa de si mesma. Num dos poucos momentos de sinceridade, quando declara o seu amor ao professor de matemática com quem mantém relações sexuais, acontece o óbvio: ele desaparece.

Ocean Front, de Douglas Wallop, é um dos livros que herdei de minha mãe, e não sei se existe tradução para o português (já pesquisei em vários sites, e não consegui encontrar até agora). Mas vale a pena mencionar, porque é um dos melhores livros que já li, e isso porque eu leio MUITO. A história se passa na década de 1960 e gira em torno de uma jovem recém-casada que foi sequestrada e estuprada por um bandido, das consequências devastadoras que isso traz para sua vida e para as pessoas mais próximas. O marido entra em conflito porque acredita que deveria tê-la protegido, como se fosse possível reagir a um bandido armado e impedir que ele a levasse. O pai dela, um homem amargo e infeliz que esconde um terrível segredo, se revolta contra o genro – como é que ele foi permitir que isso acontecesse? E ela sente que o marido deixou de amá-la, porque ela se tornou “impura” aos olhos dele. Esse intenso drama psicológico convida a uma reflexão sobre os valores cristãos e sobre a verdadeira coragem.

Enfim, a leitura nos faz enxergar o mundo através dos olhos de outras pessoas. Ela nos transporta para lugares reais ou imaginários, nos faz viajar no tempo e no espaço sem sair do lugar. Existe prazer maior que esse?

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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Memória olfativa


Engraçado como as lembranças olfativas podem nos levar a determinados estados de espírito, quase sem percebermos.
Cheiro de manga colhida no pé me traz recordações vivas da infância no sítio, de um tempo de inocência que não volta mais, embora continue em algum lugar dentro de mim.
Cheiro de chuva e de grama cortada me enche de energia. Fico achando que a vida é boa. Tenho vontade de correr e dançar.
Cheiro de bebida alcoólica evoca os pesadelos mais medonhos de minha existência. E me sinto frágil diante desse mal que divide famílias, provoca crimes e intrigas.
O cheiro de minha cama traz conforto. É bom ter para onde voltar no final do dia, e adormecer com a consciência tranquila.
Meu filho adolescente nem sempre cheira bem. Quando vai jogar bola com os amigos, volta com cheiro de meias sujas e suor. Mas quando sai do banho e me dá aquele abraço, ainda sinto cheiro de bebê.
Ultimamente eu ando alucinada pelo cheiro de uns cabelos escuros bem cuidados. Está entranhado em mim, e me acompanha mesmo quando ele está longe.

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