quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Das coisas que vem do céu - Por Wander Veroni

Desde os tempos mais primórdios, o homem sempre olha para o céu em busca de respostas. Ter dúvida faz parte da característica humana. Afinal, se não fosse alguns questionamentos, não haveria respostas para um monte de coisas, como cura de doenças ou descobertas tecnológicas, por exemplo.

Mas o homem gosta de olhar para o céu, principalmente para filosofar e saber qual é a previsão do tempo. E, quando o assunto é pensar, ele sabe que as nuvens nunca foram o seu limite. Temos sede de saber, de questionar e de aprender. Basta várias de nuvens se juntarem no céu para o dia ficar nublado que logo queremos entender o porquê disso acontecer.

Para nós da cidade, a chuva geralmente está ligada a tragédia. Aglomerados, vilas, favelas – e por que não dizer o pessoal da periferia, são os que mais sofrem com a urbanização crescente e o desrespeito à natureza. Além disso, algumas avenidas ficam alagadas e o trânsito vira um inferno. Já para quem vive no interior, saber a época da chuva é importante para colheita e o plantio da roça. Este fenômeno natural está ligado à renovação – é uma vida nova que se inicia com o crescimento da plantação.

Desse modo, cada pessoa traz para si uma interpretação diferente sobre as coisas que vem do céu. Um dia de sol para fulano significa um dia inteiro no clube, rodeado de amigos, gente bonita e muito lazer. Já para cicrano, o mesmo dia de sol é mais um dia de trabalho, de calor infernal dentro do ônibus lotado e de ligar o ar condicionado do escritório.

O céu nos permite refletir sobre as coisas que queremos ou pretendemos fazer. Olhar para o céu pode ser um exercício de imaginação, de criação, de observação e de se permitir voar nos próprios sonhos. Quem nunca se pegou olhando para o céu antes de começar um papo com alguém que não conhecemos? É o clichê da vida real. “Puxa vida, está tudo nublado hoje. Será que vai chover de novo?”, diz a moça na conversa banal do dia-dia. “Creio que sim. Ainda bem que trouxe o meu guarda-chuva”, responde o rapaz.

Foi graças aos céus, que um pode conhecer o outro. Ela não tinha como se proteger da chuva. E ele, por gentileza, logo se prontificou a dar uma “carona”. E foi assim, naquele bate-papo sobre o céu, que os dois se conheceram e, desde então, começaram a escrever a mesma história.

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Perfil do autor: Wander Veroni, 24 anos, é jornalista pós-graduado em Rádio e TV. Ambas formações pelo Uni-BH. Produz mensalmente o Jornal Institucional do Shopping Oiapoque e atua como repórter da Revista Vox Objetiva. É também editor e idealizador do Café com Notícias (http://cafecomnoticias.blogspot.com), um blog em formato de revista eletrônica que possui 2 ANOS no ar.

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Este é o primeiro texto de um autor convidado da blogosfera aqui no Fluindo. Semanalmente, repetiremos a dose com outros autores também. Fique por dentro... um deles pode ser você!

Até breve!

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domingo, 1 de novembro de 2009

Pensar o presente. Criá-lo.


Em pouco mais de seis meses de estréia do Fluindo o Olhar, temos muito a comemorar na blogosfera: fizemos vários amigos e fidelizamos leitores, o que para nós já é um grande presente. Dizemos isso porque eu, Marcus e Jenny, autores do blog, resolvemos unir forças e tentar lançar nossas sementes pelo mundo com o objetivo de contribuir de alguma forma para a conscientização das pessoas, em prol de uma sociedade mais justa e mais humana. Colocamos no "papel" reflexões que brotam naturalmente a partir de nossas próprias vivências, fatos do dia a dia e de nosso olhar sobre as coisas e as pessoas. E não imaginávamos que nossos textos seriam tão bem recebidos por vocês!


Às vezes relatamos aqui coisas muito simples, porém capazes de promover uma grande transformação nos modos de pensar e agir - pelo menos foi o que muitos leitores já nos disseram. Saibam que essa receptividade nos deixa muito felizes e motivados a avançar cada vez mais. E não estamos aqui simplesmente para lançar nossas idéias e pensamentos: aprendemos muito também com cada um de vocês!

Pensando nisso, resolvemos inovar e, de cara, modificar o nosso layout, mas sem fugir muito do que ele era até então. Conversamos com um excelente webmaster, o Tico Esteves, que criou os novos templates para os blogs Babel, de Letícia Castro e Café com Notícias, de Wander Veroni, ambos jornalistas. Como o resultado do trabalho nesses blogs foi maravilhoso, não tivemos dúvidas e contratamos a Linketal, para modernizar também o Fluindo. Essa decisão nos trouxe muita alegria e o desenvolvimento desse trabalho nos ensinou muito - aprendemos coisas incríveis, graças à disponibilidade do Tico em nos ajudar e orientar sempre que necessário.


As mudanças foram acontecendo aos poucos e fizemos vários testes. Testamos também inúmeras imagens e várias vezes pensamos que havíamos chegado a um denominador comum. Porém, faltava alguma coisa. E descobrimos que precisávamos acrescentar algo mais ao título do blog, para dar mais identidade a ele. Eu e Marcus, principalmente, ficamos quebrando a cabeça para decifrar esse enigma, quando resolvi conversar com um grande amigo da blogosfera, o Euzer Lopes, do blog Metendo o Bedelho. Ele "deu a luz" e nossas conversas foram fundamentais para a definição sobre a forma com a qual poderíamos fazer isso. Valeu demais, Euzer... você nem imagina o quanto nos ajudou! E, depois de brincarmos bastante com as palavras através do msn e e-mail, eis o resultado final:

FLUINDO O OLHAR
Pensar o presente. Criá-lo.

Essa complementação do título deu muito trabalho, por mais simples que possa parecer. Os neurônios do Marcus e os meus já estavam queimando depois da idéia concebida... mas acreditamos que valeu a pena!


Temos ainda uma novidade: a partir de agora, convidaremos vários autores da blogosfera para participar no nosso blog com um texto de sua autoria, pelo menos uma vez por semana. Queremos cada vez mais trocar idéias em busca de conhecimento e interação. E os autores que quiserem entrar nessa junto com a gente, podem entrar em contato conosco - receberemos os textos com o maior carinho e consideração, dentro da proposta do Fluindo, é claro!

Então é isso, minha gente... só temos a agradecer a cada um de vocês por todo reconhecimento e apoio.

Aos amigos Wander Veroni e Letícia Castro - não pensem que nos esquecemos do incentivo que vocês sempre nos dão para prosseguirmos nessa caminhada. A presença e o carinho de vocês foram e são muito importantes para nós. E ao Tico, esse grande profissional, pedimos a Deus para que sempre ilumine os seus caminhos, para que você prospere sempre! Foi incrível trabalhar com você...

Esperamos que tenham gostado da nossa reestreia e contamos com todos vocês para nos ajudar nessa corrente a favor do bem comum - esse é nosso principal objetivo!

Até breve!

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O melhor da vida

Nas últimas semanas estive sonhando alto. Participei de uma seleção para uma vaga de emprego em minha cidade que era tudo que eu queria. Sabe quando parece bom demais para ser verdade? E era. Depois de uma espera interminável, eu soube que escolheram outra candidata. Uma pessoa mais experiente e qualificada que eu, devo admitir – mas isso não me impediu de sentir um profundo desânimo. Ao longo de minha vida, fui levada a acreditar que fosse capaz de conseguir tudo que quisesse – desde que quisesse o suficiente. E quando os fatos contrariam as minhas crenças, não tenho onde me segurar.

Por uns dias, minha vida ficou envolta numa nuvem escura. Me senti cansada de trabalhar longe de casa e ganhando pouco. Cansada de ir para a faculdade no fim do dia e ter que preparar relatórios e mais relatórios nos fins de semana. Cansada de não ter tempo para meus filhos, para minha casa ou para mim. Dinheiro é apenas um detalhe – não o único, nem o mais importante. Mas ajuda muito à medida que conseguimos proporcionar qualidade de vida àqueles que amamos.

Se me perguntarem o que mais quero da vida, não tenho a menor dúvida. Quero que meus filhos cresçam e se tornem homens de bem. Quero chegar aos oitenta anos com a saúde e a disposição que minha avó tem hoje. Quero ir embora sabendo que deixei o mundo melhor do que era quando cheguei aqui. Não é muito, e ao mesmo tempo é um grande desafio.

Comigo não tem tristeza que dure muito tempo. Se a transição entre o céu e o inferno pode acontecer muito rapidamente, a volta também leva só um instante. Não olho para trás.

No sábado o mundo estava todo azul de novo. O vestido azul, o céu azul, a piscina azul. O lençol azul e a luz do abajur azul. Meu amor tem sensibilidade o bastante para me dizer o que preciso ouvir, no momento certo.

A arte de viver está em saber ser feliz com o que se tem. Isso não é conformismo, e não exclui o desejo de melhorar. Querer progredir não nos impede de sentir gratidão pelo que a vida nos deu. E a vida me deu muito – embora eu estivesse me sentindo tão pequena, decepcionando meus filhos, que ainda me vêem como a supermãe invencível que resolve tudo.

O melhor da vida é saber que sou amada incondicionalmente por aqueles que estão a meu redor. Que eles torceram por mim, me apoiaram, e continuam me apoiando nos dias escuros. Só por isso vale a pena toda a minha vida.


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domingo, 25 de outubro de 2009

A verdadeira beleza


Ontem à noite, numa festa, o assunto girou em torno de uma amiga que fará um implante de silicone nos seios. Mãe de dois filhos, ela ficou com a auto-estima abalada depois da amamentação. O marido diz que não precisa de nada disso, que ele gosta dela assim, do jeito que ela é. Ela acha que ele diz isso só para agradar. Eu acho que não. O amor envolve muito mais coisas do que a aparência exterior.

Eu nunca tive muita coisa para mostrar. Lembro-me de quando eu tinha dezenove ou vinte anos e não usava blusa de alcinha porque tinha uma vergonha enorme da minha magreza. Hoje não tenho mais essas encanações. Cuido de minha saúde e de minha alimentação sem passar vontade de nada, faço caminhada para manter o pique, gosto de dançar porque me dá prazer, odeio academia. Gosto de frutas e de saladas; também adoro uma pizza bem recheada. E não perco a sobremesa - mas sem exageros. Não me importo se a minha aparência está longe do padrão da mídia. Quem tem mais de trinta anos sabe que as transformações chegam - mais cedo ou mais tarde - e que não vamos conseguir fugir para sempre. Melhor desenvolver outras qualidades. Investir naquilo que é permanente.


Todos vamos envelhecer. E à medida que isso ocorre, as marcas que ficam no rosto e no corpo são daquilo que fizemos de nossas vidas. É fácil distinguir, nas feições de um idoso, se ao longo de sua vida ele foi uma pessoa ranzinza ou se alimentou bons pensamentos. Quem é que não gosta de ficar perto de alguém que irradia energia positiva? E quem suporta por muito tempo um corpo escultural que abriga uma cabecinha fútil?

A idéia de que precisamos ser lindas e saradas para que alguém nos ame de verdade é uma invenção da mídia, que tenta nos vender essa perfeição. Ou por acaso nós exigimos essa perfeição dos outros para que sejam dignos de nosso amor? O bom humor, um brilho no olhar e um gostar de si mesmo é muito mais relevante na conquista. Cuidar da mente também nos torna mais atraentes. E daí se estamos acima do peso, se a pele ou os cabelos não são iguais aos da moça da revista? Cada um de nós é único, e o mais legal da vida é mesmo essa diversidade.

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domingo, 18 de outubro de 2009

Riso, o melhor remédio


Solte a primeira gargalhada quem nunca se sentiu bem ao dar uma risada. É impossível não perceber a energia tão boa e maravilhosa que se faz presente quando você ri de alguma coisa, seja ela uma piada ou uma situação engraçada do cotidiano. Prova disso é que até mesmo o corpo da gente sente isso. É como se tudo ficasse, mesmo que por breves momentos, mais leve, suave e agradável.

Lembro que na minha época de faculdade, entrevistei um humorista que, em meio às perguntas que fiz, revelou uma das satisfações de sua carreira, o fato de saber que quando ele faz uma pessoa rir, ele tem a certeza de ter feito parte de um momento alegre da vida dela. E cá entre nós, é maravilhoso fazer alguém feliz por meio de uma sensação tão gostosa como essa que é o riso.

Existem diversas formas de se fazer uma pessoa rir e todas elas se baseam no fato de que para uma piada fazer sentido é necessário que ela tenha um elemento comum ao seu público. Acredito que para quem está no palco e vive disso é preciso interagir utilizando o repertório de seus ouvintes. Desse modo é bem garantido que sons únicos, outrora presos em gargantas fechadas, ganhem força para abrir sorrisos bem largos acompanhados de lágrimas alegres. Isso sem falar naquela dorzinha boa na barriga quando a piada realmente vale a pena a ponto de não querer parar de rir dela.

Não é a toa que muitos humoristas sabem como ninguém provocar risadas. Eles dominam um dom de comunicação que lhes permite ter presença diante de desconhecidos e assim interagir com eles. Na verdade, a interação é a chave de tudo. Você também pode fazer um amigo (a) ou colega rir quando brinca com informações que recebe deles. Para isso, é necessário ser ousado e criativo além de ter muita coragem ao abordar certos temas de natureza delicada. Infelizmente, o que ocorre com muitos desses profissionais do humor é que eles atravessam uma linha que delimita os limites entra a ofensa e a graça dando a sua mensagem uma conotação negativa.


Rir é sem sombra de dúvida o melhor remédio e, talvez, uma das melhores formas de sentir seu efeito é quando procuramos rir de nós mesmos. Pode até parecer loucura, mas acredito que ajuda muito no dia-a-dia ter uma dose disponível de humor para lidar com situações complicadas. É como uma arma para combater o medo e a tristeza. Nos ajuda a levantar e continuar seguindo o caminho sem olhar para trás. Também contribui para não dar aos problemas um peso e uma importância maior daquela que eles já tem. É claro que, como foi dito antes, tudo tem seu limite. Por isso, é importante conhecer os seus o quanto antes. O mesmo vale para quando você tenta compartilhar esse recurso com os demais, pois, de forma parecida como acontece com humoristas, é preciso conhecer o repertório do ouvinte para interagir com ele através de uma piada ou comentário engraçado. É preciso ter um certo instinto para sentir quando é melhor e mais oportuno brincar com os outros. Dependendo do estado emocional de uma pessoa ou de sua relação com ela, é muito possível não obter o resultado esperado e acabar ferindo seus sentimentos.

Claro que é muito importante aprender a levar a vida um pouco menos a sério e saber administrar uma situação embaraçosa mesmo quando você é o motivo do riso. Por isso faça uso desse melhor remédio para dar a sua vida um toque diferente.


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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A idade do exagero

(sei que o texto é antigo, mas quem foi adolescente nos anos 80 e 90 vai se identificar...)

- Eu aposto que você era fã do Menudo! – disse meu amigo, me olhando do outro lado da mesa do restaurante lotado. E todos os olhares do grupo se voltaram para mim. Tive que explicar que não, eu nem dava bola para os garotos de Porto Rico, e não era por vergonha de admitir. Afinal no começo da adolescência eu era completamente “nerd”, apesar de esse termo nem existir naquela época. Enquanto as minhas amigas colecionavam figurinhas da Turma do Moranguinho, eu pesquisava mitologia grega nas enciclopédias de meu pai.
Pouco depois veio o RPM, e – agora sim, confesso – eu era louca pelo Paulo Ricardo. A porta do meu guarda-roupa era cheia de posters, fotos e reportagens sobre ele, que eu exibia com orgulho. Cantava todas as músicas do grupo, mesmo sem compreendê-las. Essa época coincidiu com a minha primeira sandália de salto alto, que me rendeu vários tombos e gozações dos meninos. Sem contar a cicatriz no tornozelo causada pela primeira vez que passei a gilete na perna. Fiquei impressionada com a quantidade de sangue que saiu de um corte tão pequeno. E deixei os pêlos crescerem por um bom tempo antes de me arriscar novamente.

Os bailinhos de sábado à noite eram sempre na casa de alguém da turma. Fazíamos vaquinha para alugar a iluminação, que um dos meninos mais fuçados controlava enquanto dançávamos. O som vinha do 3 em 1 dos donos da casa ligado no último volume. As mães ficavam conversando na cozinha, e a cada cinco minutos uma delas vinha conferir se estava tudo bem com a garotada.
- Acende a luz aí! E nada de dançar muito agarrado!
Apesar da vigilância, de vez em quando rolava algum beijo no canto da sala ou embaixo da árvore da calçada. Aí ficava sendo o assunto da semana, sussurrado nos bancos do pátio da escola.
- Gente, o Cláudio beijou a Cris!
- Até que enfim ela conseguiu!
Ouvíamos Legião Urbana e meu pai ficava horrorizado com as letras das músicas, além de achar que Lobão e Cazuza eram a mesma pessoa.
- Hoje em dia não existe mais música, só barulho!
E as roupas? Lembro-me de que naquela época (mais ou menos em 1986) eu tinha um camisão cor de laranja com estampas de super-heróis que fazia o maior sucesso entre as meninas. Costumava usá-lo com um legging amarelo de lycra e um par dos famosos tênis All-Star num tom verde vivo. Ou combinava um par de botas brancas com presilhas rosa e lilás nos cabelos. Cortávamos as mangas das camisetas em tiras e passávamos sombra azul nos lábios para ficarmos iguais à Cindi Lauper na capa do disco.

Mais para o final da década as coisas pioraram. Recentemente eu fiquei chocada ao assistir o vídeo de uma festa em que aparecia dançando lambada com o cabelo cortado no estilo “Chitãozinho e Xororó”, de camiseta azul por dentro da calça de cós alto. O pior é que naquele tempo eu achava lindo... De repente, o chique era música sertaneja. Os rapazes estacionavam os carros (emprestados dos pais) na rua e ouviam as músicas do Leandro e Leonardo no volume máximo. Em fitas cassete, claro, porque naquele tempo não existia o CD.
A moda acompanhava as novelas. Durante algum tempo todo o mundo imitava o sotaque nordestino dos personagens de “Tieta do Agreste”. Depois veio o “Pantanal” e passou a ser ofensivo um rapaz convidar uma garota para nadar na cachoeira. A gente virava onça.
Por volta de 1990 começou a fase de só vestir preto. Minissaia com blusa de alcinha, jaqueta cheia de detalhes e meia arrastão. As unhas muito compridas, com esmalte em cores berrantes, formavam um contraste com as roupas. Colares, pulseiras e brincos enormes, maquiagem chamativa, justo eu que hoje em dia mal passo um batom cor de rosa. Naquele tempo eu queria ser a Madonna. Mas descobri que não tinha vocação – a rebeldia estava só na superfície - e me casei pouco depois. Doei as roupas pretas, não ficava bem uma mãe usar vestido curtíssimo.
Hoje meu filho canta umas músicas debaixo do chuveiro que dá medo dos vizinhos escutarem. Fica meia hora na frente do espelho fazendo caretas. Sai do quarto com boné cheio de argolas, camiseta vermelha justa com estampa de dragão, jaqueta militar e calça jeans preta cheia de bolsos, com um perfume que dá para sentir a um quarteirão. Entucha o cabelo de gel, faz uns penteados malucos imitando o estilo do Alemão do penúltimo Big Brother.
- E aí coroa, me ajeita dez reais para eu ir ao cinema? O Rafa vai passar daqui a pouco.
Dá vontade de mandá-lo trabalhar. Coroa! Que horror, onde já se viu?
- Cadê o respeito?
- É um jeito carinhoso de falar, entende? – Me dá um beijo no rosto e sai correndo. O amigo já está chamando no portão.
A gente demora um tempo para se acostumar com o visual. Pior ainda são os diálogos recheados de termos de informática: orkut, msn, bytes e megabytes. De vez em quando ele fica megafeliz. Parece que falam outra língua. Mas me chamar de coroa?
Engana-se quem acredita que o pai daria um jeito. Quando o dito-cujo aparece aos domingos para passear com o filho, este enfia o celular no bolso da jaqueta, sobe na garupa da moto e diz:
- Beleza, véééio!
Adolescente é tudo igual. Ainda bem que passa depressa...

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terça-feira, 6 de outubro de 2009

É fácil fazer alguém feliz...


No fim de semana passado fui visitar minha irmã e resolvemos dar uma esticada até o parque Wet'nWild, para aproveitar o calor. Eu sou um peixe, adoro água, e meus filhos então... filho de peixe, sabe como é... Nem preciso dizer que curtimos demais o domingo ensolarado, apesar do Alek ter ficado vermelho como um pimentão (bem que avisei para ele usar protetor solar) e dos sustos que passei com os meninos me arrastando para todos os brinquedos radicais.

No edifício onde minha irmã mora tem um garoto de uns nove ou dez anos que leva uma vida difícil. A mãe tem um problema de saúde e a avó ajuda no que pode, mas ele tem que assumir responsabilidades de adulto. Ela perguntou se podíamos levá-lo. Devo confessar que adorei a idéia... E ele se divertiu tanto ou mais que meus filhos. Para nós custou pouco. Para ele valeu muito.

Sempre converso com pessoas que dizem que gostariam de ter dinheiro para ajudar o próximo. E então pergunto: como é que você anda tratando seu marido em casa? E seus filhos? Os colegas de trabalho? Porque as melhores coisas da vida nem sempre custam dinheiro, e caridade também se faz sendo companheira, sabendo ouvir, oferecendo aquele sorriso que o nosso próximo precisa no momento difícil.

De resto... mesmo quando achamos que temos pouco, há sempre um lugar no carro para levar aquela criança carente a um passeio. Ou um lugar à mesa para o parente pobre. Se a vida é feita de momentos, podemos torná-los inesquecíveis para alguém.

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domingo, 4 de outubro de 2009

O desafio da divisão




Entre as muitas lições que esta vida nos ensina uma delas está em aprender a lidar com o desafio da divisão. Não, não se trata de um problema de matemática proposto pela professora da escola, mesmo que a metáfora envolvendo essa ciência exata seja interessante. Quem nunca se viu perdido (a) em uma situação que precisa desabafar com alguém e ai quando encontra uma pessoa amiga, faz seu desabafo e se depara com uma surpresa: o outro tira conclusões preciptadas a seu respeito ou sobre a situação e dai faz comentários que atrapalham tudo.

Infelizmente, a situação não é tão simples assim e envolve certas coisas tais como ruídos de comunicação e medidas de confiança além do que revela um fato praticamente incontestável: comunicação é realmente uma complexidade. Nunca se sabe por exato como o outro realmente nos compreende até porque a sua compreensão é construída por diversos outros fatores como educação, visão de mundo das pessoas e personalidade.

No entanto, cada ser humano é um universo em particular com seus planetas, luas e sóis com fases que variam de acordo com as estações do tempo. Em outras palavras, como diria Caetano Veloso: ``Cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é``. Portanto, como então saber que a forma como foi transmitido aquele comentário/conselho machucou João ou Maria? É como pisar em ovos. Ou talvez em cacos de vidros, o que é pior.



Por motivos como esses é que estamos sempre tentando aprender com nossos erros e descobrindo com eles como, com quem e o quanto desabafar mesmo que esse seja um dos desafios por mais complicados que se possa encontrar, pois todo ser humano, em maior ou menor grau, tem uma necessidade inerente de compartilhar seus sentimentos e pensamentos independente da forma como é escolhida para se fazer tal divisão. Às vezes, fazemos isso pelo simples motivo que tal atitude nos faz bem e realmente não há nenhum mal nisso. Mas, infelizmente, como já foi dito antes, existem ruídos de comunicação, também conhecidos como mal-entendidos.

O mal entendido, por sua vez, é um dos grandes males da nossa sociedade, pois este é fruto do sub-entendimento, das conclusões obtidas apressadamente ou com base em idéias pré-concebidas, muitas fruto de conceitos generalizados tais como frases do tipo ``Todos são iguais. Nenhum homem presta``. Não se podem condenar todos pelo erro de uma maioria. Existem exceções à regra. No caso dos homens, por exemplo, existem aqueles que tem uma sensibilidade diferenciada, são fieis, gentis, educados e simpáticos sem perderem sua masculinidade como muitos já podem pensar erroneamente.

Enfim, encerro essa longa reflexão sobre o desafio de saber como e o quanto dividir com o próximo acreditando que é para isso que os erros existem, para que aprendamos com eles e assim saibamos somar mais experiências a nossa maturidade. Afinal de contas, ninguém gosta de dividir e se sentir subtraído, certo?


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sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Um lugar para florescer


Nos fins de semana, por mais ocupada que eu esteja, sempre arranjo um tempo para mexer no meu jardim. Adoro a energia boa das plantas, seu colorido e a paz que elas nos trasmitem. Converso com elas, procuro perceber o que elas sentem, às vezes mudo uma ou outra de lugar. Algumas se dão bem com sol, outras se desenvolvem melhor na sombra. É preciso ter alguma sensibilidade para encontrar o lugar certo onde cada uma se sente melhor.
Meu pai, que não está mais entre nós, sabia de meu gosto e sempre me presenteava com um vaso de flores ou coisa assim. Certa vez ele me deu uma plantinha num vaso pequeno, com duas ou três folhinhas delicadas. Depois de algum tempo passei-a para uma jardineira de cimento e suas folhas aumentaram de tamanho. Fiquei surpresa. Há alguns meses eu a plantei na terra, sem nada que tolhesse suas raízes, e ela se tornou quase uma árvore. Acho que as coisas são assim também com a gente.
Eu a conheci há uns dez ou onze anos. Trabalhávamos na mesma empresa. Ela era mais alta do que a média e andava um pouco encurvada, como se quisesse esconder sua altura. Parecia um peixe fora do aquário, e era. Uma garota reservada e tranquila, num ambiente que valorizava a agressividade e a ambição. Uma pessoa que fala baixo no meio de um grupo onde todos gritam e manda quem grita mais alto. Um gatinho numa cova de leões. Era eficiente, mas ninguém dava muita atenção para o seu trabalho. Ninguém sabia de suas opiniões, muitas vezes divergentes de quem detinha o poder. Eu tinha uma convivência mais próxima com ela e podia entrever a grande capacidade que se escondia atrás de seu silêncio. E ela se sentia triste e apreensiva, sem perspectivas para o futuro.
Mudei de empresa, e ela também. Por algum tempo mantivemos apenas um contato esporádico. Eu sabia de sua vida através dos outros - nas cidades pequenas, todo o mundo sabe da vida alheia, mesmo sem querer. E torcia por ela. Torcia muito.
Hoje ela é professora universitária. Tive o prazer de assistir algumas de suas aulas, e a grata surpresa de vê-la entrar na sala segura de si e prender a atenção da turma numa sexta-feira à noite. Estava diferente, mais bonita, transbordando de energia.
Muitas vezes subestimamos as habilidades das pessoas, quando elas simplesmente estão no lugar errado. Aparências à parte, a garota tímida que conheci há mais de uma década não mudou sua natureza. Fala com segurança daquilo que já conhecia antes, para pessoas que têm interesse de ouvir. Desenvolveu qualidades que já possuía, embora invisíveis aos olhos da maioria. Precisava apenas de um lugar para florescer.

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O amor é uma via de mão dupla


Eu estava em silêncio, olhando para o meu amor que dormia. Parecia uma criança, tamanha a expressão de tranquilidade. Os cabelos pretos, os cílios muito escuros - herança de seus antepassados negros, as mãos fortes e bronzeadas. Ele não é mais jovem, está um pouco acima do peso e não tem muito dinheiro. Que importa? Eu, que já sofri tanto por amor, fiquei pensando no quanto tenho sorte por ter encontrado alguém tão amigo. Ainda somos capazes de conversar por horas sem que o assunto fique chato. Quando estamos numa festa, sinto um frio na barriga quando ele me puxa para o meio da multidão e começamos a dançar. Damos muita risada, fazemos guerras de travesseiros com as crianças, visitamos todas as cachoeiras da região. É como se estivéssemos vivendo uma adolescência tardia, a estas alturas da vida em que não tínhamos mais curiosidade sobre o amor.
Lembro-me de uma frase que já li em um monte de lugares, embora não saiba quem é o autor. Às vezes é necessário que encontremos algumas pessoas erradas na vida - para que quando encontrarmos a pessoa certa, saibamos dar valor. Nem sempre é assim. Conheço pessoas que se casaram com o primeiro amor e são felizes. Outras precisam de uma segunda, terceira ou quarta chance. Como nós dois. Ele também pensava que talvez tivesse nascido para viver só. Me pergunto como é possível que tantas mulheres tenham passado por sua vida sem conhecê-lo direito, sem enxergar o que realmente importa numa pessoa ou num relacionamento. De fato, tenho mesmo sorte.
Outro dia, no carro, ele me falou sobre uma conversa que teve com um amigo. Na opinião de ambos, não existe um meio-termo para as mulheres. Ela pode te levantar ou te derrubar. E ele me disse que tem feito muitas coisas que não faria sem o meu incentivo. Que prestou aquele concurso público porque eu acreditei que ele era capaz. Que decidiu construir uma casa, e realizar o sonho que sua mãe alimentou por uma vida inteira, porque eu o convenci de que era possível. E ele me falou do quanto tem sorte por ter me conhecido (e pensei: apesar de eu também não ser jovem, estar um pouco acima do peso e viver lutando para pagar as contas). Eu não sabia que o pouco que faço tem um impacto tão grande. São apenas sementes que plantamos; o amor que doamos retorna para nós multiplicado.

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domingo, 6 de setembro de 2009

Fluir o Olhar...

Existem momentos na vida da gente que precisamos dar uma guinada, precisamos de incentivo e de levantar nossa moral. Precisamos de força. Sentimo-nos como um verdadeiro peixe fora d'água. Mas quem não tem dias assim?

E, nesses momentos de total sensibilidade, pequenas coisas ou atitudes podem fazer toda a diferença. Pensamos nas pessoas que estão próximas de nós, muitas vezes esperando delas atitudes que talvez nunca cheguem. E qual não é nossa surpresa quando nos deparamos com gestos de pessoas que nem imaginávamos, capazes de demonstrar verdadeiro calor humano e vontade de te ajudar, de te jogar para cima e te mostrar que muitas coisas podem ser bem diferentes do que parecem ser?


Essa é a magia da amizade. Ela surge não se sabe como, não se sabe de onde e nem o motivo. Mas sabemos que ela existe sim e, muitas vezes, nem precisa ser alimentada com contatos intensos ou frequentes - ela está lá, bem quietinha no canto dela, pronta para se mostrar nos momentos em que mais precisamos.

Creio que esses são sinais divinos que surgem na vida da gente com uma única finalidade: mostrar que não estamos sozinhos e que nunca estaremos, quando se tem o coração aberto para aproveitar tudo o que a vida tem a oferecer, todas as situações difíceis e até mesmo todos os nossos medos. Afinal, querendo ou não, aprendemos sempre! E nada melhor do que superar tudo isso e ter a certeza de que o tempo e as dificuldades podem ser grandes aliados.

Ninguém é feliz sem amigos. Precisamos conversar, desabafar, trocar idéias ou até mesmo jogar conversa fora. Não importa... amigos verdadeiros são como raios que irradiam sua luz em nossos momentos sombrios e que também ajudam a aquecer os felizes.

O importante é que os amigos existem e que muitas das vezes podem estar bem ao seu redor sem que você perceba. É necessário "fluir o olhar"...

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Literatura e mulheres: ontem, hoje e sempre...

Num domingo ocioso, desenterrei o clássico "Razão e Sensibilidade" da inglesa Jane Austen. Dentro do contexto da literatura romântica do início do século 19, ela conta a história de duas irmãs que sofrem desilusões amorosas e reagem de maneiras muito diversas. A mais nova age de acordo com a moda da época: chora o dia inteiro, fica sem comer, pálida, com olheiras. Naquele tempo era bonito morrer de amor. A mais velha guarda o sofrimento para si e segue em frente. Questionada sobre a intensidade de seu amor pelo rapaz, responde que amava outras pessoas além dele, e se estava sofrendo, não havia motivo para fazer sofrer também as pessoas ao seu redor.
Para quem acha entediante esse tipo de leitura, é preciso compreender as entrelinhas. Temos que enxergar além do enredo para perceber que a autora faz uma crítica aos costumes românticos e enaltece a razão, que vê as coisas como elas são e não exagera o sofrimento.
Li também um artigo da feminista Betty Friedan, escrito na década de 1960. Ela levanta a questão da dona de casa culta - a mulher que tinha todo o conforto material e vivia angustiada, querendo aquele "algo mais" da vida que não sabia definir. Vi a mim mesma com vinte anos, bem casada, a vida explodindo lá fora e eu enterrada viva numa cozinha, me perguntando por que eu havia estudado se afinal de contas não teria nenhum proveito.
De vez em quando volto ao clássico Dom Casmurro. Quando eu tinha quinze anos, a professora de literatura perguntou à classe se Capitu traiu ou não Bentinho. Na época eu achava que não, afinal as únicas evidências podiam ser atribuídas à imaginação dele. Hoje penso que não é tão importante se ela traiu ou não. Imagino o que eu faria no lugar dela, vendo o amor da adolescência se transformar num monstro... Naquele tempo em que não havia divórcio, que alternativa ela teria para suportar um homem tão obsessivo?
No ano passado eu li "Dewey, um gato entre livros" e me apaixonei. Não só por ser uma história real ou porque adoro gatos, mas também porque me identifiquei com a narradora: uma mulher forte e solitária, que divorciou-se do marido alcoólatra e teve que criar a filha sozinha, que cresceu num ambiente rural e voltou a estudar depois de adulta. E compreendo perfeitamente o amor que ela sentiu pelo gatinho que alguém abandonou numa noite fria. Ele era como ela, um vencedor, alguém que sobreviveu às maiores dificuldades.

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domingo, 23 de agosto de 2009

Os efeitos da convivência

Para algumas pessoas isso talvez pareça ridículo, mas acho interessante falar sobre a convivência no ambiente de trabalho e os seus efeitos na nossa rotina usando como exemplo de comparação os fatos (e clichês) mais comuns que se fazem presentes em reality shows. Chega um momento em que percebemos o quanto pode ser estressante estar sempre ali com as mesmas pessoas, vivenciando as mesmas situações e tendo que conviver com isso.

Os nervos ficam a flor da pele muitas vezes, a sensibilidade fica maior até mesmo para coisas pequenas, algumas quase microscópicas. Assim como nesses programas que se propõem a fazer um show da realidade, alguns ``participantes`` jogam pois a existência de competitividade é inevitável. A ``máquina`` do sistema funciona desse modo, seja nos instigando a ser competitivos através da quantidade de produção até construindo sentimentos e atitudes individualistas.

Claro que é possível resistir a isso e continuar seguindo em frente. No entanto, trata-se de uma luta constante e cansativa. Voltando a questão dos relacionamentos, é sempre importante separar o joio do trigo, ou seja, compreender que há a pessoa e o profissional. Curiosamente, essa separação também traz a tona um certo contraste, pois afinal de contas tais lados fazem parte de um todo e se complementam.



Somos seres humanos de carne, osso e sangue. Ninguém é de ferro, como diz o ditado. Mesmo assim, termos que nos confrontar com aquela tarefa difícil de deixar os problemas do lado de fora a partir do momento que entramos pela porta de nossos trabalhos e batemos o cartão de entrada. E isso conseqüentemente influencia em nosso comportamento, seja na hora em que a paciência se faz necessária ou a percepção precisa ter seu foco ajustado.

Enfim, assim como tudo que há nessa vida, tudo o que acontece nos fortalece e acrescenta para sermos seres mais sábios e, portanto, preparados para os caminhos que teremos que trilhar por esse mundo. Por isso, considero necessário buscar uma adaptação nesse caminho diário e difícil que é a rotina no trabalho. Nessas horas, também lembro de um conselho de minha mãe: Não podemos mudar o mundo e tão pouco mudar ninguém, temos apenas que aceitar as pessoas como elas são.


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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Uma questão de atitude

Carol tem dezesseis anos e é amiga de meu filho. Assim como as outras garotas, gosta de paquerar, de ouvir música e de ficar na Internet. Mas ela é diferente. É uma jovem calma, que estuda muito e quer ser médica para cuidar das crianças carentes. Quando meu filho está nervoso ou fez alguma coisa errada, é ela quem o aconselha.
Devido a um problema congênito, Carol está numa cadeira de rodas. Todo o mundo morre de pena, mas ela está sempre alegre. Sabe fazer o melhor com os recursos que a vida lhe deu, embora pareçam limitados.
De vez em quando me pergunto por que uma pessoa tão doce e tão espiritualizada tem que passar por tudo isso. Mas são coisas que estão além de nossa compreensão. Talvez o sofrimento tenha moldado o caráter desta jovem, transformando-a no que ela é hoje, uma alma grandiosa num corpo limitado.
E penso também em todas as pessoas que têm braços e pernas perfeitos, mas que cruzam os braços e dizem que a vida é ruim.
Talvez a diferença entre ser feliz ou não seja apenas uma questão de atitude.

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